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Tríduo Pascal: como o agente da Pascom pode viver a espiritualidade?

A Igreja Católica no Brasil vivencia, de modo muito especial, a Semana Santa, período em que se intensificam as atividades do agente da Pascom. Mas como cuidar da espiritualidade nesse período tão intenso?
Cristo Crucificado em Ressuscitado, na Catedral St. Mary, em Calgary, Alberta (Créditos: Dzambel | cathopic.com)

A cada Semana Santa, de acordo com o Concílio Vaticano II, percebemos que:

“Como a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, Cristo a realizou principalmente por seu mistério pascal, com a qual destruiu nossa morte morrendo e, ressuscitando, restaurou nossa vida, o sagrado tríduo pascal da paixão e ressurreição do Senhor brilha como o ponto culminante de todo o ano litúrgico.” (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 5).

No documento, a Igreja afirma que na Semana Santa vivemos os mistérios centrais da nossa Redenção. Ao contemplarmos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, sentimos que, mais do que nunca, o próprio Senhor se comunica conosco através da Palavra que se fez carne e habitou entre nós, por amor se entregou a Cruz, ressuscitou ao terceiro dia e, assim, somos convidados a ressurgir para uma vida nova, o verdadeiro sentido da Páscoa.

O pasconeiro, dentro desse contexto, tem a missão de comunicar a beleza e a memória de celebrar a Páscoa, conduzido pelo Espírito Santo e utilizando vários recursos para transmitir a Palavra de Deus de maneira que chegue ao coração das pessoas dentro da realidade em que elas vivem.

 

Início da Semana Santa: Jesus que caminha para abraçar a obra da Redenção

No Domingo de Ramos, acolhemos a Cristo como aquele que vem em nome do Senhor, é o centro de nossa vida.

Na segunda, terça e quarta-feira Santa, a liturgia nos apresenta Jesus que se encaminha para o sacrifício pela nossa salvação, como afirma o Prefácio da Paixão II:

“Já se aproximam os dias da sua paixão salvadora e Ressurreição gloriosa, pelos quais é vencida a soberba do antigo inimigo e se faz memória do sacramento da nossa Redenção”.

 

O Tríduo Pascal: ápice da vida cristã

Após os primeiros dias da Semana Santa, a Igreja dá início ao Tríduo Pascal, pois, conforme expressa na declaração sobre a Liturgia do Concílio Vaticano II, “considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.” (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 102).

Conhecer a riqueza do que se celebra em cada dia do Tríduo Pascal garante ao pasconeiro a certeza de uma boa vivência litúrgica e, com isso, um melhor servir.

Na quinta-feira Santa, Jesus se revela como mestre e, após lavar os pés dos discípulos, disse: “Vocês me chamam de mestre e Senhor e eu o sou. Se eu lhes lavei os pés, vocês devem lavar os pés também uns dos outros”. (Cf. Jo 13, 12-14)

Após a celebração, o pão consagrado é transferido para um outro local da igreja, e lá o contemplamos na simplicidade e no silêncio.

Na sexta-feira Santa, a Igreja se reveste de silêncio. As primeiras comunidades cristãs, quando anunciavam o Evangelho, evitavam dizer que Jesus havia sido crucificado.

Para você, pasconeiro, é um dia especialmente desafiador, pois há várias atividades nas paróquias e comunidades, como procissão, via-sacra e representações teatrais e, dessa forma, se pergunta: como viver a espiritualidade nesse dia dedicado ao silêncio? Como comunicar uma experiência de amor diante do sofrimento?

Como resposta a essa pergunta, precisamos tratar o silêncio também como uma forma de comunicação, pois ela leva a um encontro com Deus e sua Palavra e, como resultado, o pasconeiro consegue transmitir sua mensagem de forma verdadeira.

No Sábado Santo, o silêncio ainda reina no tempo e no espaço eclesial. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. À noite, a celebração da Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, proclama a vitória sobre o pecado e a morte. Esta é a celebração mais importante de todo o ano litúrgico e é dividida, de forma didática, em quatro partes: liturgia do fogo, liturgia da Palavra, liturgia batismal e liturgia eucarística. É a memória dos fatos que culminaram com a libertação do povo oprimido, no Antigo Testamento, e renovação desta libertação com a proclamação da Nova e Eterna Aliança, na Ressurreição do Senhor.

E no Domingo da Ressurreição, a Igreja celebra a Cristo que venceu a morte de uma vez por todas. O Aleluia Pascal ressa como canto da vitória e como o canto dos ressuscitados com Cristo. Num serão sobre a Ressurreição, o doutor da Igreja São Leão Magno afirma que Jesus tinha pressa em ressuscitar, porque queria consolar sua Mãe e os seus discípulos. Diz o santo que ele

“esteve no sepulcro o tempo estritamente necessário para cumprir os três dias profetizados. Ressuscitou ao terceiro dia, mas o mais cedo que pôde, ao amanhecer, quando ainda estava escuro, antecipando o amanhecer com a sua própria luz.”

Ao fazer a experiÊncia da Páscoa, o agente da Pascom é mais do que um transmissor da luz de Cristo Ressuscitado, é uma testemunha e, portanto, se torna um farol a irradiar esta bela luz em sua comunidade eclesial.

 

Páscoa: frutos para a vida cristã

A Semana Santa não pode ser vivida como um simples memorial de fatos que aconteceram há dois mil anos, nos esquecendo de olhar a dimensão dramática e profunda do que estamos vivenciando e, dessa forma, caindo em uma espécie de romanticismo pascal, ou até mesmo viver esse período tão importante de maneira cômoda e triunfalista, uma Páscoa sem calvário.

É fundamental que a Semana Santa frutifique em nós uma vida cristã mais intensa, que nos questione a respeito de temas centrais da nossa vida e como vivemos o nosso Batismo.

Desejamos a todos os pasconeiros um abençoado Tríduo Pascal, fruto de uma feliz Quaresma e do início da Semana Santa. Que o Espírito Santo nos guie com coragem, ânimo e coração aberto na importante missão de comunicar!

 

Juliana Fontanari é jornalista formada pela UNIP e agente da Pascom na Arquidiocese de São Paulo.