As fake news e o poder de espalhar o mal!

Jesus foi a vítima direta das fake news, criadas por interesses de poderosos da época que se sentiram ameaçados

 

O conceito de fake news ganhou força online com o advento das redes sociais, nas quais a disseminação de notícias falsas tornou-se, infelizmente, comum e mais acessível a todos.

O termo, quando pesquisado em dicionários ou buscadores online, traz sinônimos nada bons como mentira apresentada em forma de notícia, alterar, falsificar, simular, inventar e enganar. São verbos e substantivos que fazem de um simples gesto um ato que pode destruir relações, amizades, vidas e famílias.

As mentiras que são divulgadas como verdades, manipulando situações e colocando o bem comum em perigo, não são novas. Se fizermos uma analogia com a Bíblia e as Sagradas Escrituras, temos várias ocasiões onde a manipulação de informações por interesse provocou o mal para as pessoas, principalmente para o próprio Jesus.

 

Mulher Adúltera Apedrejada

Uma mulher, de acordo com o Evangelho de João, capítulo 8, versículos de 1 a 11, foi pega em adultério. Porém, não são citados com quem e muito menos se ela era casada. O que está em questão é como Jesus recebeu a notícia, que foi sem julgamento e sem se deixar levar pelas palavras do público que queria a morte dela.

Cristo nos ensinou como proceder perante uma notícia que, apesar de ser “revoltante”, temos que ver com os olhos da misericórdia.

Assim deve ser nossa postura perante as notícias que podem machucar e humilhar as pessoas, pois se fazemos os papéis de multiplicadores e disseminamos a notícia sem ter a calma da análise e da misericórdia, somos responsáveis pelas “pedras jogadas”, que podem matar.

 

Jesus come com pecadores e cobradores de impostos

Sim, Jesus comia com eles, porém as fake news da época queriam deturpar o real motivo, que era a conversão desses pecadores.

Muitas pessoas seguiam Jesus e, em meio à multidão, havia aqueles que queriam espalhar as notícias falsas para prejudicar suas ações. Eram alguns doutores da Lei que viram o Cristo comendo com os pecadores e cobradores de impostos e questionavam entre as pessoas: “Por que ele come com eles?”, jogando iscas para provocar e espalhar mentiras.

Quantas vezes fomos o ponto final de toda a crítica? Essa é a missão de todo comunicador católico: diante de informações que possam ferir a Igreja, o próximo e a fé, temos que ser a barreira do bom senso e da ética, fiscalizando e corrigindo divulgações que possam ser falsas.

 

Jesus é castigado e crucificado

As fake news foram ao extremo e real sentido do mal que elas fazem para a sociedade. A calúnia e difamação contaminaram as mesmas pessoas que receberam Jesus, com ramos de oliveira, em Jerusalém, levando-as a acreditar que o Cristo era um farsante, provocando seu sofrimento e a sua morte.

Gritavam “crucifica-o, crucifica-o” sem saber o porquê! Seguiam palavras doentes e malignas que conseguiram espalhar mentiras entre a sociedade, contaminando corações com situações não reais.

Jesus foi a vítima direta das fake news, criadas por interesses de poderosos da época que se sentiram ameaçados por um jovem galileu que falava somente do bem. Injustiçado e sozinho, sofreu, se revoltou com a situação, mas não “pagou com a mesma moeda”. Ao contrário, agiu com o silêncio e com a verdade.

A pedra que seria lançada à mulher adúltera feriria muito menos do que as palavras ditas pelo povo revoltado contra Jesus, contaminado pelas fake news.

“A mentira produz a injustiça” (Prov. 12,22) e, consequentemente, a morte! Uma simples “mentirinha” dita nas redes sociais é como pedras lançadas contra alguém e pode causar danos irreversíveis.

Sejamos o ponto final de toda fake news e “que ninguém vos engane com palavras persuasivas” (Cl 2,4).

 

Por Marcelo Godoy, publicitário com pós-graduação em comunicação em redes sociais, coordenador do GT de Produção da Pascom Brasil, membro da comissão arquidiocesana de comunicação da Arquidiocese de Campinas, designer gráfico, redator e palestrante de marketing.