
Com sentimentos de emoção e alegria, foi inaugurada na manhã do último sábado, 12, a Escola Nacional de Comunicação da Pascom Brasil e o seu primeiro curso, Fundamentos da Pastoral da Comunicação. Para este momento, estudantes e convidados compartilharam o ambiente em uma sala virtual e a transmissão simultânea da aula aconteceu pelo canal do YouTube.
Conduzida pelo coordenador-geral da Pascom Brasil, Marcus Tullius, a sessão de inauguração contou com a participação do bispo auxiliar de Belo Horizonte e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, Dom Joaquim Mol. Ele é também o reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que oferece a estrutura para a realização do curso. Para Dom Mol, a escola deverá promover abundantemente a formação na área de comunicação e também o diálogo com outras áreas, como a teologia. Para ele, a formação oferecida está baseada em cinco pontos, elencados a seguir:
- Preencher espaços que, se não forem preenchidos, se tornam um abismo dentro de nós;
- Diminuir dependências, garantindo autonomia e habilitação para interagir uns com os outros;
- Libertar de ideias pré-concebidas, que, às vezes, nos fazem escravos de nós mesmos. Formação que não liberta precisa ser questionada;
- Capacitar para atuação no campo da Pastoral da Comunicação. A capacitação deverá se guiar em dois pilares: a inteligência e a sensibilidade;
- Conduzir para uma espiritualidade mais profunda, de intimidade com o Senhor. Trata-se não só de uma preparação técnica, mas preparar boas pessoas para a atuação pastoral.
Para o coordenador do Anima PUC Minas, Padre Áureo Nogueira, a realização da aula inaugural é um dia que marca de modo muito significativo a história da comunicação em nossas comunidades.
“Eu vejo com muita esperança e alegria esta escola, com uma resposta aos anseios do tempo presente, em sintonia com o Papa Francisco, qualificando os nossos leigos e leigas para o exercício do sacerdócio batismal”, afirmou.
O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação e professora da Escola, Padre Tiago Sibula, ressaltou que este é um novo tempo na Pascom e que o objetivo da formação é evangelizar de forma renovada, atraente, lúcida e com os pés no chão.
O assessor eclesiástico da Pascom no Regional Sul 1 e coordenador do GT Formação da Pascom Brasil, Padre Tiago Barbosa, expressou a alegria pelo momento. Neste curso está o coração de toda a Pascom que buscou e se organizou para viver este novo tempo.
“Gratidão a Deus que nos reuniu no amor de Cristo e que nos deu o dom da comunicação. O fruto do nosso trabalho é a evangelização numa Igreja que seja verdadeiramente sinodal!”
Pastoral para o tempo presente

Para ministrar a aula inaugural, a convidada foi a professora Francilaide Ronsi, doutora em Teologia pela PUC-Rio, onde também é professora. Ela trouxe como início de sua fala, a partilha de ser uma leiga atuante na vida comunitária em seu estado de origem, Pernambuco, e o incentivo recebido pelo seu pároco para cursar Teologia.
“A pastoral foi meu chão. Estou aqui falando como mulher, leiga e mergulhada nesta imensidão de significado e de potência que é a pastoral na vida da comunidade”.
A professora iniciou sua fala contextualizando que a nossa fé no Cristo Ressuscitado jamais pode nos deixar neutros, que é preciso compreender os apelos que a realidade faz aos cristãos. “Eu devo me sentir atingida por essa realidade.” Francilaide acentuou a importância dos agentes de pastoral terem ciência da centralizade de Cristo na sua ação. “Os cristãos comprometidos com a causa dos pobres, que é a causa de Jesus, precisam de uma teoria da práxis”, destacou.
Destacando o papel do Concílio Vaticano II, que, neste ano, completa 60 anos de seu início, a professora Francilaide explanou que o sujeito da pastoral é aquele que tem autonomia e protagonismo na ação pastoral. “O Concílio vaticano II nos ajudou e nos ajuda a compreender que não existe duas categorias de cristãos, leigos e clero, mas os batizados no seio de uma comunidade toda ela ministerial”, ressaltou a professora a partir do documento Lumen Gentium.
“Na ação pastoral, o protagonismo é do Espírito Santo.”
Sobre a ação pastoral no tempo presente, a professora Francilaide ressaltou que “o mundo é o espaço do testemunho e da vivência da fé.” Segundo ela, não é possível testemunhar se não tiver uma intimidade com Jesus e deixar-se guiar pelo Espírito Santo, é o que garante um Pentecostes perene na vida da Igreja.
Trazendo a tradição mística de Santa Teresa de Jesus, a teóloga ressaltou a importância da oração que, para a carmelita, “é estar com quem acreditamos que nos ama”.
Citando Bento XVI, a partir do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, número 11, Francilaide afirma que é “compreender profundamente as pessoas e a sociedade na qual se vive e se atua é condição essencial para o êxito de toda a ação evangelizadora. Essa compreensão passa, necessariamente, pelo entendimento do mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé”.
Inspirada pelo tripé pessoa-Igreja-sociedade, salientado pelo Concílio Vaticano II, Francilaide afirmou que evangelização tem muito a ver com personalização. Isso deve estar no horizonte de quem se dispõe a fazer pastoral, pois é preciso conhecer, e conhecer bem, a sua realidade.
“Sem ser pessoa é impossível ser um bom cristão. O cristianismo é a plenitude do humano, que transcende em Deus. É vida e vida abundância. Sem essa exigência humana e divina, não há vida em comunidade.”
Por fim, a professora da PUC Rio, recordou a exortação Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, dando o sentido à sua fala sobre o que significa pastoral para o tempo presente.
“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história.” (GS, n. 1)
Após o momento de interações, para responder às perguntas dos presentes, os estudantes do curso Fundamentos da Pastoral da Comunicação, participaram de um momento com o coordenador-geral da Pascom Brasil e com o coordenador do GT Produção. Marcus Tullius e Padre Tiago Barbosa salientaram a importância da participação no cronograma proposto para um bom aproveitamento do curso. A primeira disciplina será ministrada pelo professor Dr. Moisés Sbardelotto, no dia 26 de março, e terá como abordagem “Comunicação no mundo e na Igreja”.
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