
A Quaresma é tempo de conversão, oração e caridade. Nesse período, A Igreja nos convida a um retorno sincero ao coração de Deus, renovando nossa fé e nossa missão no mundo. Entre as práticas quaresmais, a caridade se destaca como um verdadeiro testemunho da vida cristã, pois, como ensina São Paulo:
“ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou” (1Cor 13,2).
Mas o que, de fato, é a caridade? Para a Igreja, a caridade não se resume a um simples ato de bondade ou ajuda ao próximo. Santo Agostinho nos ensina que “a caridade é o movimento da alma para amar a Deus por Ele mesmo e ao próximo por amor a Deus.” Isso significa que a caridade nasce do próprio Deus, que é Amor (cf. 1Jo 4,8), e se concretiza na entrega total de si ao outro. São Tomás de Aquino, por sua vez, afirma que a caridade é a mais excelente das virtudes, pois une a alma a Deus e nos conforma ao Seu amor. Ela não é um mero sentimento, mas um ato de vontade que nos impulsiona a buscar o bem do outro, mesmo com sacrifício.
A caridade, portanto, é um mandamento divino. Jesus nos ensinou a amar o próximo como Ele nos amou (cf. Jo 13,34). Esse amor não conhece limites, não escolhe a quem amar, não espera nada em troca. Ele é paciente, misericordioso e generoso. É o amor que desce aos pequenos, que se compadece dos sofrimentos, que se faz pão para os famintos e abraço para os aflitos. A caridade é a vivência concreta do Evangelho.
Sementes de caridade na Quaresma (aprendendo com o Semeador)
No tempo quaresmal, somos chamados a intensificar a caridade como forma de penitência e conversão. Assim como Jesus, que passou 40 dias no deserto em preparação para a missão que o levaria à Cruz, também nós somos convidados a atravessar esse deserto, desapegando-nos do supérfluo e cultivando aquilo que é essencial: o amor a Deus e aos irmãos.
E a caridade se manifesta em gestos simples. Uma palavra que consola, um olhar que acolhe, um ouvido atento à dor do outro. Pequenos gestos que, aos olhos do mundo, podem parecer insignificantes, mas que, diante de Deus, são preciosos. Na Quaresma, podemos nos perguntar: a quem podemos estender a mão? Que corações estão sedentos de amor ao nosso redor? Como podemos ser presença de Cristo para os que sofrem?
A caridade na missão da comunicação
Mas há um chamado especial para aqueles que evangelizam por meio da comunicação. O comunicador católico não apenas informa; ele transmite a Verdade, e essa Verdade é Cristo. A comunicação, quando vivida como ministério, torna-se um espaço de caridade, onde a Palavra de Deus encontra os corações sedentos.
A caridade na comunicação se traduz em uma linguagem que edifica e não destrói, que une e não divide, que promove a paz e não o ódio. Em tempos de redes sociais e informações instantâneas, o comunicador cristão é desafiado a ser uma voz de esperança, evitando julgamentos precipitados, fake news, discursos agressivos ou polarizações que geram divisões dentro da própria Igreja.
Viver a caridade como pasconeiro ou pasconeira é estar atento às dores do povo de Deus, dar voz aos que não têm voz, ser ponte e não muro. É comunicar com ternura, com misericórdia, com a verdade que liberta e não oprime. É oferecer conteúdos que alimentem a fé, que promovam a comunhão, que inspirem os fiéis a serem sal e luz no mundo.
Um envio para a missão
Na travessia quaresmal, Deus nos chama a uma vida nova. Como comunicadores, somos desafiados a fazer dessa missão um exercício concreto de caridade, em cada postagem, em cada palavra, em cada imagem que compartilhamos.
Que possamos viver esta Quaresma com um coração aberto, dispostos a amar como Cristo amou. Que nossa comunicação seja instrumento de paz, que nossas palavras sejam bálsamo, que nossa missão seja um reflexo do amor de Deus.
Sigamos, pois, comunicando com caridade, para que a Páscoa nos encontre transformados, prontos para anunciar a Boa Nova da Ressurreição.
Alex Alves Guimarães é agente da Pascom há 7 anos e membro do GT Produção da Pascom Brasil. É um apaixonado por Jesus Cristo e por sua mensagem comunicadora e encantado pelas Comunidades Eclesiais de Base-CEB´s, pelo jeito prático e vivencial do Evangelho. É professor licenciado em Letras, Português/Inglês pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), pós-graduado e membro de grupos de pesquisa na área de linguística textual, produção de texto e práticas docentes.
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