Compreendendo a história da Comunicação na Igreja Católica (Parte 1)

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“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro” essa afirmação do famoso historiador grego Heródoto me parece bastante oportuna para nossa primeira reflexão no Portal da Pascom Brasil. Partindo desta proposta de Heródoto quero convidar você a voltar comigo ao passado e compreender como se estabeleceu a relação da Igreja Católica com os meios de comunicação ao longo da história, pois esse movimento será importante para que possamos entender os atuais contextos da comunicação na Igreja e assim também vislumbrar o seu futuro.

Algumas pessoas podem estar se perguntando sobre a importância e necessidade de se olhar para acontecimentos, documentos e fatos vividos no passado e neste sentido é importante destacar que Igreja Católica vivenciou altos e baixos em sua relação com os meios de comunicação ao longo do tempo. Esses momentos vão de contextos de repressão e censura até a aceitação e a orientação para o uso estratégico dos meios de comunicação.

Ao longo das próximas semanas, até o final do ano aprofundaremos essa reflexão com a publicação de outros seis textos que vão destacar momentos históricos e documentos que nos favorecem a compreensão das posturas adotadas pela Igreja Católica em relação ao meios de comunicação. Refletiremos sobre isso primeiramente em nível macro, tomando como base os documentos publicados pela Santa Sé e a reflexão de pesquisadores da área da comunicação. Vamos lá?

Existem dois livros que nos ajudam a entender melhor esse processo histórico, primeiro o publicado por Romeu Dalle, Igreja e Comunicação Social (1973) e depois a obra de Noemi Dariva, Comunicação Social na Igreja (2003), em ambos são apresentados um compilados dos diversos documentos da Igreja publicados sobre comunicação social.

Em sua obra, Dalle afirmar que um dos primeiros registros do pensamento da Igreja sobre os meios de comunicação é datado do ano de 1487, quando o Papa Inocêncio VIII publicou a encíclica Inter Multiplices, em que orientara os cristãos sobre como abordar as publicações impressas: os livros e folhetins da época.

Neste contexto, a maior preocupação do papa era a vida espiritual dos cristãos, que de algum modo poderia ser influenciada negativamente com o advento da imprensa. Pensou-se a nova tecnologia, criada pelo alemão Johannes Gutenberg, como um risco para a produção cultural da época.

Como podemos ver, a Igreja Católica viveu momentos distintos na sua relação com os meios de comunicação. Os estudos e pesquisas de José Marques de Melo e Joana Puntel, nos favorecem o entendimento dessa relação entre Igreja e Comunicação a partir da delimitação de algumas fases.

A primeira é considerada a fase da Censura e Repressão; segue-se uma lenta e gradual abertura para os meios de comunicação, na chamada fase de Aceitação Desconfiada; no ritmo veloz para acompanhar os avanços das tecnologias da comunicação, marca-se a terceira fase do Deslumbramento Ingênuo; encerrando-se na Reviravolta de pensamento como principal característica do contexto contemporâneo dessa relação.

Vale ressaltar a importância da recuperação desse processo histórico para que tenhamos condições que reconhecer os significativos avanços que vivemos neste âmbito atualmente. A Igreja, enquanto instituição secular manteve uma maternal preocupação sobre o uso dos meios de comunicação, e com a dinamicidade própria do processo de transformação e desenvolvimento da sociedade,  a Igreja percebeu a necessidade de também lançar mão das tecnologias de informação e comunicação.

“Os meios de comunicação social são já inseridos como meio e documento no exercício do ministério pastoral e da missão católica no mundo”. Essa importante afirmação de Paulo VI, na apresentação do documento conciliar Inter Mirifica, aprovado no Concilio Vaticano II, no dia 4 de dezembro de 1963, reconhece a real importância dos meios de comunicação, bem como a nova maneira que a Igreja passou a percebê-los.

Poderíamos considerar que é a partir desse ponto que a Igreja começa realmente a perceber as potencialidades dos meios de comunicação para a evangelização. Afinal, era necessário encontrar novas maneiras de tornar a evangelização possível dentro do contexto das transformações vividas pela sociedade: “A Igreja Católica se vê premida pela necessidade de evangelizar. Compete-lhe anunciar a salvação por todos os meios, inclusive pelos meios de comunicação social”, afirma o Decreto Conciliar Inter Mirifica.

Em nosso próximo texto refletiremos sobre os contextos sociais e os documentos oficiais da Igreja que nos ajudam a delinear as fases de Censura e Repressão e da Aceitação Desconfiada vivida pela Igreja Católica na sua relação com os meios de comunicação. Que tal você começar a sistematizar uma linha do tempo com as informações que vamos apresentar nos próximos textos? Isso certamente pode ajudar você a compreender melhor todo esse processo e ainda pode lhe ajudar a qualificar ainda mais o seu trabalho pastoral, especialmente no eixo da formação. Até o dia 13 de outubro!

Imagem: ilustrativa

 

 

 

Sobre o Autor: Ricardo Alvarenga

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