Comunicar para o bem do todo: do Cristo todo, da Igreja toda

A Semana Santa passou, Cristo ressuscitou e o trabalho? Não terminou. Nosso trabalho sempre recomeça na medida em que ouvimos a voz do Ressuscitado e saímos, como Maria Madalena, para anunciá-Lo. A situação inédita pela qual estamos vivendo, ainda deve se prolongar por alguns dias, portanto, devemos nos esforçar ainda mais para aprimorar o nosso servir e evangelizar com qualidade. Ademais, quando pudermos nos reunir novamente nos templos, não podemos nos esquecer daqueles que continuarão em suas casas e também precisam ser evangelizados. A meta é ir adiante… não podemos regredir.

As celebrações na praça digital – das Igrejas templo, sem povo, para as igrejas domésticas – dão visibilidade a muitas coisas que já aconteciam, até então, na paroquialidade. Muitas só não eram vistas, ou eram desconhecidas. Não é só porque a missa é “on-line” que ela precisa ser mais bem preparada. O mesmo zelo com o qual se prepara uma liturgia celebrada com a presença de fiéis deve ser o zelo de uma liturgia sem a presença de fieis e mediada pelas novas tecnologias. Ela precisa ser bem preparada, bem celebrada, primeiramente, para cumprir o que ensina o Concílio Vaticano II:  “É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido’ (1Pd 2,9; cf. 2,4-5), tem direito e obrigação, por força do batismo. A essa plena e ativa participação de todo o povo cumpre dar especial atenção na reforma e incremento da sagrada liturgia: com efeito, ela é a primeira e necessária fonte, da qual os fiéis podem haurir o espírito genuinamente cristão. Esta é a razão que deve levar os pastores de almas, em toda a sua atividade pastoral, a procurarem-na com o máximo empenho, através da devida formação” (SC 14).

Com equipes reduzidas para se evitar a aglomeração de pessoas, a Pastoral da Comunicação deverá ter uma atenção ainda mais redobrada para garantir que a celebração aconteça com decoro, harmonia, zelo, respeito.

– Ah, coordenador, mas isso é responsabilidade da Pastoral Litúrgica! Não só da Pastoral Litúrgica, meu caro pasconeiro. É fundamental prezar pela qualidade técnica da transmissão, mas também da celebração em si. Darei um exemplo mercadológico, que está longe de expressar a grandeza da liturgia, mas que ilustra bem o que estou falando. Você já comprou um produto com uma bela embalagem, mas que, quando consumido, deixou a desejar? Então, é isso que acontece quando você tem todo um aparato tecnológico, mas não se preocupa com a celebração.

Não nos esqueçamos que na essência da Pascom está a transversalidade. Conforme assinala o Guia de Implantação da Pascom (p. 64), citando o Departamento de Comunicação do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho, “é próprio da Pastoral da Comunicação o que corresponde à dimensão comunicacional do trabalho da Igreja, para que Igreja viva a comunhão que anuncia e que promove, a comunhão com Deus e com os homens, convidando, desse modo, a cada um para entrar livre e ativamente no caminho de sua realização plena”. Comunicação e Liturgia guardam uma ligação umbilical, pois elas se servem generosamente para o bem do povo de Deus. Liturgia é, por excelência, a celebração da comunicação do amor de Deus com o seu povo. A liturgia é comunicação. Portanto, por ela, os fieis experimentam o Mistério do amor de Deus.

– Coordenador, o que eu posso fazer então?

Algumas dicas:

1 – Converse com o padre ou diácono que irá presidir a celebração e confira todo o rito com antecedência.

2 – Seja corresponsável. Disponha-se à Pastoral Litúrgica e demais pessoas envolvidas (mesmo que à distância) para o bom andamento da celebração.

3 – Evite quaisquer situações que possam comprometer a dignidade da celebração ou que exponham o celebrante e demais participantes ao ridículo. (Trocando em miúdos: não faça da celebração uma fábrica de memes!)

4 – Após a celebração, faça uma breve avaliação e procure os pontos que precisam ser corrigidos na celebração seguinte.

5 – Deixe seu coração rezar junto durante a celebração. Às vezes, nos preocupamos tanto com as questões técnicas que perdemos a dimensão do Mistério que estamos celebrando. Sejamos, ao mesmo tempo, Marta e Maria.

 

Sobre o Autor: Marcus Tullius

Você também pode gostar:

Busca

Instagram