Dizer a verdade e desdizer as mentiras

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Dizer a verdade, para o cristão, não é apenas uma escolha moral, mas é a sua configuração a Jesus Cristo, que é “caminho, verdade e vida” (cf. Jo 14,6). Bento XVI, no início de sua encíclica Deus Caritas Est, afirma que “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. Logo, o horizonte do cristão não pode ser outro a não ser o da Verdade.

No contraponto da verdade reside a mentira. Ela é figura constante nas relações sociais e parece ter se tornado uma cultura aceitável em nosso tempo, principalmente diante da sua ampla capacidade de disseminação pelos meios digitais. Quantas vezes por dia você recebe alguma mensagem mentirosa ou de conteúdo duvidoso por meio de uma mensagem no seu smartphone? Destas, quantas você averigua para checar se é verdade? Ou ainda: quantas você compartilha sem ao menos ter a confirmação?

Santo Agostinho, na sua obra De Mendacio (Sobre a mentira), elenca oito tipos de mentira. Seu objetivo não foi traçar uma hierarquia desta perversão, mas, já naquela época, mostrar que ela cria suas artimanhas de destruição. Também não é uma forma de exaltação, mas é um alerta sobre a necessidade da verdade (que ele discorre com largueza em outras obras). O bispo de Hipona adverte que “nunca se erre com mais segurança como quando se erra por amor extremo à verdade e rejeição máxima da falsidade”.

Verdade e mentira travam uma luta interminável. Portanto, em nosso tempo, além da necessária capacidade de dizer a verdade, é preciso o esforço hercúleo de desdizer a mentira. Quem se deixa possuir pela força da verdade, prolonga seus dias e a força do testemunho, e aquele que mente (quem cria, quem recria e quem compartilha) apequena sua vida espiritual, pois “a boca mentirosa mata a alma” (cf. Sb 1,11).

Você possivelmente já leu ou ouviu uma célebre frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista, “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Quase oito décadas nos separam e ela continua, infelizmente, atual. Mas, nós podemos inverter a lógica da serpente e nos deixarmos conduzir pelo conselho do Apóstolo Paulo aos Efésios: “deixando a mentira, que cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros” (Ef 4,25).

Sobre o Autor: Marcus Tullius

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