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Escutar a Palavra

A Igreja no Brasil dedica o mês de setembro à Palavra de Deus e os agentes da Pascom são chamados a instensificar sua relação com a Palavra.
(Créditos: Asociación San Juan Apóstol – cathopic.com)

Durante este ano de 2022, o escutar tem sido a principal motivação pastoral na Igreja e, especialmente, na comunicação com a mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais. O caminho proposto é de que para comunicar verdadeiramente, é preciso ser capaz de conjugar o verbo escutar. Não só escutar, mas escutar com o ouvido do coração. Esta pode ser uma chave de leitura que o pontífice traz em sua simples e densa mensagem, partindo do princípio de que “a escuta continua essencial para a comunicação humana”.

O mês de setembro, tradicionalmente dedicado à Palavra de Deus nos convida a escutar, ainda mais, a Palavra. Na Bíblia, a escuta é essencialmente a relação dialogal entre Deus e o seu povo. Na mensagem de 2022, o Papa Francisco apresenta diversas inspirações do Antigo e do Novo Testamento que expressam a importância dessa relação. Quando nos dispomos para escutar Deus, para escutar a sua Palavra, estamos dando a nossa resposta generosa a Ele: “a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça”.

Disse que, em setembro, é preciso escutar ainda mais a Palavra, pois seria insuficiente que nós reservássemos tempo para esta escuta apenas nestes 30 dias. A ação pastoral da Igreja no Brasil reserva este período para maior intimidade e estudo sempre a partir de uma motivação. Neste ano, a motivação é o livro de Josué, com a inspiração: “O Senhor, teu Deus, estará contigo por onde quer que vás” (Js 1,9).

O documento 114 da CNBB, intitulado “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14), em aprovação na 59ª Assembleia Geral dos Bispos, propõe que a Palavra de Deus seja a base de toda a ação pastoral. De fato, para acontecer uma experiência rica e verdadeira de encontro com os irmãos e as irmãs nas comunidades, é preciso haver um encontro profundo com Deus por meio da Palavra.

De que forma a Pascom pode contribuir na animação bíblica? O documento 114 afirma que

“a Pastoral da Comunicação é chamada a contribuir na oferta de serviços à Igreja, a partir de seus eixos: formação, articulação, produção e espiritualidade. Todos eles sustentam a Pascom, que buscam ‘incentivar a reflexão e estimular ações que, tendo sentido comunicativo, conduzam à comunhão e ação evangelizadora’ (CNBB, Doc. 99, n. 249). Ainda em palavras de São Paulo VI: ‘O Espírito Santo é o agente principal da Evangelização: é Ele, efetivamente, que impele para anunciar o Evangelho’ (Evangelii Nuntiandi, n. 75). Com essa espiritualidade, em comunhão com os Pastores da Igreja Católica, procure-se ‘encontrar palavras para encorajar uma estação evangelizadora mais ardorosa, alegre, generosa, ousada, cheia de amor até o fim e feita de vida contagiante’ (Evangelii Gaudium, n. 62). Dê-se voz aos tantos mestres, em doutrina e sabedoria, atuantes em nossas igrejas (dioceses, faculdades, institutos de formação), para que o povo de Deus seja alimentado com riqueza de ciência e sapiência. E cresça a forma, como desejava profeta Amós: ‘Não fome de pão nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (Am 8,11)” (CNBB, Doc 114, n. 200)

Nossa aproximação da Palavra de Deus não pode ser simplesmente uma leitura corrida, como um livro técnico, ou uma literatura qualquer. É fundamental que nos aproximemos da Sagrada Escritura com o coração aberto à luz e ao discernimento do Espírito Santo, para que Ele nos ajude a compreender o que Deus quer nos dizer pela Sua Palavra.

O Documento de Aparecida, no parágrafo 249, afirma que “a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos personagens do evangelho”. As atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil orientam que as comunidades eclesiais missionárias devem “assumir a leitura orante da Palavra como método, por excelência, para o contato pessoal e comunitário com a Sagrada Escritura” (cf. n. 157) e um pouco mais adiante estimula “utilizar o potencial das redes sociais, desenvolver e difundir aplicativos, para que a Palavra alcance todas as pessoas em todas as situações” (cf. 159).

Os agentes da Pascom podem tornar muito fecunda esta experiência com a Palavra, a partir deste mês de setembro, a partir de algumas dicas muito simples e eficazes:

  • dedicar um tempo diário para leitura e reflexão da Palavra de Deus, especialmente, o livro de Josué;
  • promover um momento comunitário, com todos os membros da Pascom, para a leitura da Palavra, que pode ser feita sob a modalidade da Lectio Divina (Leitura Orante da Palavra de Deus), ou a partir da proposta dos Círculos Bíblicos, ou outra experiência que seja vivida em sua comunidade;
  • aproximar-se das Pastorais e Movimentos que tenham sua missão dedicada ao estudo e a divulgação da Palavra de Deus: os Círculos Bíblicos, Comissões Bíblico-Catequética ou Serviço de Animação Bíblico-Catequética, dentre outros;
  • a partir dos meios de comunicação de sua comunidade ou paróquia, ajudar a comunidade a reforçar sua intimidade com a Palavra, com conteúdos formativos e orantes, valorizando, essencialmente, o testemunho das pessoas com a Bíblia;
  • os agentes da Pascom escutem-se mutuamente e criem iniciativas mais apropriadas em suas comunidades para a vivência do mês da Bíblia, em sintonia com o pároco e todas as forças vivas na ação pastoral.

Que esta experiência de encontro com a Palavra de Deus, impulsionada pelo mês da Bíblia, renove a nossa experiência de encontro com Deus e nos recorde do Seu imenso amor por nós. Como bem acentua o Papa Francisco aos comunicadores neste ano, “o Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.”