Formação do discípulo-missionário da comunicação foi tema da primeira Conexão Pascom de 2021

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A primeira Conexão Pascom 2021 aconteceu num clima de leveza e aprendizado. O encontro formativo on-line foi realizado na noite de terça-feira, 17 de agosto, com participação de agentes de todo o Brasil e trouxe o tema A formação do discípulo-missionário da comunicação. Os convidados para a reflexão foram a teóloga e pesquisadora, professora Alzirinha Rocha de Souza, e o bispo auxiliar de Belo Horizonte e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães. A mediação foi do Pe. Tiago Barbosa, assessor eclesiástico da Pascom no Regional Sul 1 e coordenador do GT Formação da Pascom Brasil.

Relação pessoal com Jesus 

A professora Alzirinha Rocha de Souza iniciou sua contribuição trazendo a reflexão sobre a relação entre mestre e discípulo.

“Cada um que se afirmar como seguidor de um mestre é seu discípulo, mas a relação entre eles tem papeis distintos. Mestre é aquele que leva o seu discípulo ao melhor conhecimento daquilo que se tem a oferecer, portanto, a verdade do conhecimento. De outro lado, discípulo é aquele que apreende a sua verdade, toma para si e a reconstitui a partir desse aprendizado. Igualmente é papel do mestre formar o seu discípulo para que ele siga em vida de uma outra forma. O discípulo passa pelo mestre e, independente dele, segue sua vida construindo para si uma nova forma de exercer seus ensinamentos”, destacou a pesquisadora citando Michel Foucault.

No decorrer de sua explanação, a professora destacou as características da missão, trazendo inspirações do próprio Jesus, no Evangelho de Lucas, de como ser discípulos. Ou seja, “não é por falta de orientação de Jesus que nós não saberemos como estabelecer com Ele a relação entre mestre e discípulo”, realçou. O Concílio Vaticano II declara a missão como a identidade cristã (Ad Gentes 2) e, segundo a pesquisadora, foi um ganho enorme para a Igreja recordar aquilo que ela é e aquela que é a identidade dos cristãos.

Alzirinha destacou o acento missionário do Documento de Aparecida, já presente no tema da Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho, e a o desdobramento que o papa Francisco traz na Exortação Apostólica Evangelli Gaudium, “nos convidando a sermos uma Igreja em saída, uma Igreja em anúncio, uma Igreja que se comunica”. Citando o Aparecida (25), afirmou que o missionário é aquele que anuncia a Palavra, com a qual Deus enviou seu Filho ao mundo e por onde nos seguimos comunicando. A formação que o discípulo-missionário na comunicação exige entender bem aquilo que se comunicar.

“Missão é anunciar a Pessoa de Jesus? Certamente sim, mas não se resume somente a isso. A missão da Igreja é evangelizar, é certo. Contudo, o que nos remarca é que o nosso conteúdo é diferenciado. Não anunciamos um ‘o que’, mas um Quem, com quem estabelecemos uma relação interpessoal de mestre e discípulos, que implica em ser missionário. Por isso o nosso conteúdo não é somente anunciar esse esse Quem é Jesus, mas dizer o antes e o depois que vem junto e que comporta esse anúncio”, afirmou.

Em sua conclusão, a professora trouxe três pontos que implicam a formação do discípulo-missionário na comunicação.

“Perceber o que comunicamos. Comunicamos um sentido que se origina da experiência concretizada entre mestre-discípulo, que precisa continuada ser aprofundada, estudada e refletida. Por isso, a formação é essencial para todo discípulo, para todo batizado, para todos os que compõem a comunidade eclesial. Perceber para quem comunicamos, a partir da percepção de quem somos hoje enquanto a Igreja, e a Igreja de Francisco que insiste na comunicação de um cristianismo de sentidos e não no cristianismo de fórmulas, doutrina e salvação, para finalmente, então, pensarmos os instrumentos, critérios, formas e mediações a ser utilizados quando dessa comunicação.”

Discípulo-missionário para ser cristão 

Dom Joaquim Mol iniciou sua reflexão afirmando que todo processo de formação na comunidade tem diversas dimensões, mas que a formação no sentido mais pleno é uma nova relação vital com Jesus Cristo e não apenas a apreensão de um conteúdo. Citando o teólogo José Antônio Pagola, trouxe os riscos de uma Igreja que se afasta da pessoa de Jesus e realça a necessidade de voltar a Ele.

“Uma Igreja de cristãos que se relacionam com um Jesus mal conhecido, vagamente captado, confessado de vez em quando de maneira abstrata e doutrinal, um Jesus mudo de quem não se pode escutar nada de especial para o mundo atual, um Jesus apagado e inerte, de quem ninguém se enamora nem seduz, que não chama nem toca os corações, é uma Igreja sem futuro, que vai envelhecendo, e se apagando, e se esquecendo.”

O presidente da Comissão de Comunicação afirmou que é preciso deixar-se agarrar não apenas por uma causa, mas pela Pessoa de Jesus, o Deus Vivo encarnado em Jesus, e a mensagem do Reino de Deus por Ele anunciado. Dom Mol destacou o uso das palavras discípulos-missionários, especialmente a partir de Aparecida, como recurso pedagógico para para nos fazer avançar na melhor visualização da nossa identidade como cristãos e cristãs e resgatar o sentido da palavra cristão. Para isso, três pontos foram destacados pelo bispo na melhor visualização desta identidade.  

  1. A adesão a Jesus Cristo e ao seu projeto do Reino de Deus: uma mistura que não perde a distinção entre nós e Ele;
  2. A busca de conhecimento: se nos apropriamos dos verdadeiros sentimentos de Jesus, n’Ele e com Ele somos lançamos ao serviço generoso do outro;
  3. A martyria: o testemunho, a maturidade da fé, uma vida vivida segundo a fé cristã.

Para Dom Mol,  “a meta da formação é o Reino de Deus, que deve ser entendido como dom (é dado, é gratuito, é oferta de Deus) e compromisso (construção com aquilo que nos é dado)”. O bispo auxiliar de Belo Horizonte apresentou quatro notas testemunhadas pelos escritos do Novo Testamento e que devem ser assimiladas pelos agentes da Pascom.

  1. É preciso entender a formação para a diaconia, para o serviço. Entender a diaconia como parte da nossa missão, algo mais amplo do que o ministério ordenado, um dado da própria vocação.
  2.  A formação precisa melhorar a nossa condição de anunciar Jesus, querigmaticamente e catequeticamente, ou seja, de fazer a apresentação de Jesus com a própria vida e também de ajudar a aprofundar a catequese.
  3. O agente da Pascom ele se prepara para ser um agente da koinonia, da comunhão, do diálogo. O agente é aquele que faz comunhão, que gera comunhão. É preciso estabelecer o diálogo interno, na própria comunidade, e também o diálogo ecumênico, interreligioso, algo mais amplo, cultural.
  4. Por fim, a liturgia como celebração do Mistério Pascal. Toda a liturgia, não somente a Eucaristia.

Por fim, três marcas do itinerário formativo para pessoas que vivem a fé na comunicação, para um agente da Pastoral da Comunicação bem formado.

“Uma comunicação de informação verdadeira, uma comunicação que ajuda na formação cristã e uma comunicação que promova o bem viver para todos.” 

Próximas datas

21/09, 20h – EIXO DA ESPIRITUALIDADE
Tema: Celebrar a Palavra de Deus (leitura orante da Palavra de Deus)

19/10, 20h – EIXO DA ARTICULAÇÃO
Tema: Trabalhar em equipe e com as demais equipes pastorais (Painel de experiências)

16/11, 20h – EIXO DA PRODUÇÃO
Tema:  Produzir além das mídias: onde queremos chegar com a nossa produção? A quem queremos atingir?

Sobre o Autor: Marcus Tullius

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