Os pais comunicam aos filhos o dom da vida e da presença de Deus

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No próximo domingo, 8 de agosto, os brasileiros comemoram o dia dos pais. Embora essa data seja mais conhecida por seu acento comercial, ela coincide com o dia em que a Igreja recorda a vocação à vida familiar.

Também nesse dia é aberta a Semana Nacional da Família, que segue até o dia 14, com o tema “Alegria do Amor na família”, fazendo referência ao Ano da Família Amoris laetitia, instituído pelo Papa Francisco para celebrar os 5 anos da publicação da sua exortação apostólica pós-sinodal sobre o amor na família.

Ao refletir sobre o dom da maternidade e da paternidade, o pontífice ajuda a compreender o mistério da relação entre pais e filhos também na perspectiva da comunicação.

No capítulo V, o santo Padre recorda que o amor “sempre dá vida”. “Os cônjuges, enquanto se doam entre si, doam para além de si mesmos a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e síntese viva e indissociável do ser pai e mãe’”, escreve, citando seu predecessor, São João Paulo II, na exortação apostólica Familiaris consortio (1981).

Francisco enfatiza, ainda, que com o alimento e os cuidados, desde recém-nascidas, as crianças recebem de seus pais o dom e as qualidades espirituais do amor. “Os gestos de amor passam através do dom do seu nome pessoal, da partilha da linguagem, das intenções dos olhares, das iluminações dos sorrisos. Assim, aprendem que a beleza do vínculo entre os seres humanos mostra a nossa alma, procura a nossa liberdade, aceita a diversidade do outro, reconhece-o e respeita-o como interlocutor. (…) E isto é amor, que contém uma centelha do amor de Deus”, destaca.

Presença

(Créditos: @NappyStock | nappy.co)

O Papa também observa que os pais comunicam aos filhos os valores humanos e religiosos, sobretudo, por meio da presença. Ele reforça que toda criança tem “o direito a receber o amor de uma mãe e de um pai, ambos necessários para o seu amadurecimento íntegro e harmonioso”.

“Não se trata apenas do amor do pai e da mãe separadamente, mas também do amor entre eles, captado como fonte da própria existência, como ninho acolhedor e como fundamento da família. Caso contrário, o filho parece reduzir-se a uma posse caprichosa”, ressalta o santo padre, acrescentando que ambos, homem e mulher, pai e mãe, são “cooperadores do amor de Deus criador e como que os seus intérpretes”.

Em outras palavras, o Papa explica que os pais comunicam aos filhos, por meio de suas atitudes e manifestações de amor, “o rosto materno e paterno do Senhor”. “Além disso, é juntos que eles ensinam o valor da reciprocidade, do encontro entre seres diferentes, onde cada um contribui com a sua própria identidade e sabe também receber do outro”, completa o santo padre.

Pai e mãe

(Créditos: Angie Menes – cathopic.com)

Francisco também salienta que, atualmente, fala-se em uma “sociedade sem pais”, resultado de uma libertação “do pai-patrão”, representante da lei que se impõe de fora, um “censor da felicidade dos filhos e obstáculo à emancipação e autonomia dos jovens”.

No entanto, o Santo Padre assinala que a sociedade foi ao extremo oposto. “O problema de nossas dias não parece tanto a presença intrometida dos pais, mas a sua ausência”.

“Por vezes, o pai está tão concentrado em si mesmo e no próprio trabalho ou, então, nas próprias realizações individuais, que até se esquece da família. E deixa as crianças e os jovens sozinhos”, alerta Francisco, exortando os pais a estarem próximos dos filhos no seu crescimento.

“Quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho”.

Quanto às mães, o papa as define como “o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta” e enfatiza que uma sociedade sem mães seria desumana, porque elas “sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação e a força moral”.

 

Família ampliada

O bispo de Roma reconhece, contudo, quem nem todas as crianças nascem em um contexto familiar integrado. Por isso, ele afirma que se, por alguma razão inevitável, falta um dos dois, é importante procurar alguma maneira de o compensar, para favorecer o adequado amadurecimento do filho”.

Além disso, o Papa fala sobre o que ele chama de “família alargada” ou “ampliada” que consiste na comunidade próxima com as quais pais e filhos interagem, trocam experiências e se ajudam mutuamente. Dela, fazem parte os avós, tios, primos e até os vizinhos.

“Esta família alargada deveria acolher, com tanto amor, as mães solteiras, as crianças sem pais, as mulheres abandonadas que devem continuar a educação dos seus filhos, as pessoas deficientes que requerem muito carinho e proximidade, os jovens que lutam contra uma dependência, as pessoas solteiras, separadas ou viúvas que sofrem a solidão, os idosos e os doentes que não recebem o apoio dos seus filhos”, aconselha o pontífice, destacando que podem, inclusive, compensar as fragilidades dos pais e a identificar eventuais problemas na relação entre pais e filhos.

Por fim, o Papa destaca a família como uma “rede de relações” tecida na relação entre os esposos, seus filhos e o mundo, “impregnada e robustecida pela graça do sacramento que brota do mistério da encarnação e da Páscoa”, os sinais por excelência da comunicação entre Deus e a humanidade.

 

 

Colaboração: Fernando Geronazzo, membro do GT Produção da Pascom Brasil

Foto da capa: Il ragazzo (cathopic.com)

 

Sobre o Autor: O Estagiário

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