Pascom Brasil produz podcast especial sobre o Dia Mundial da Religião

A celebração dessa data é uma oportunidade para reflexão e um convite para exercer a consciência, a compreensão e a reflexão diante das diferentes expressões e denominações religiosas. 

Você sabia que em 21 de janeiro celebra-se o Dia Mundial da Religião e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa? A celebração dessa data é uma oportunidade para reflexão e um convite para exercer a consciência, a compreensão e a reflexão diante das diferentes expressões e denominações religiosas. A primeira data foi instituída em 1949, durante uma Assembleia Espiritual Nacional dos Baha’is com o objetivo de promover o respeito, a tolerância e o diálogo entre todas as diversas religiões existentes no mundo. Na mesma data, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei n° 11.635/2007, em homenagem à Mãe Gilda, do terreiro Ilê Abassá de Ogum (BA), vítima de intolerância religiosa.

“De que forma eu compreendo a diferença: como riqueza ou como ameaça?” Este é um dos questionamentos apresentados durante o bate-papo no Podcast da Pascom Brasil preparado especialmente para o dia 21 de Janeiro. A jornalista e mestra em Ciências da Religião, Janaína Gonçalves, conduziu a conversa com o pesquisador e professor do programa de pós-graduação em Ciêncais da Religião da PUC Minas, Roberlei Panasiewicz, a teóloga Elisa Melo e o psicólogo e doutorando em Ciências da Religião Guaraci Maximiano dos Santos. Confira como foi essa conversa. 

O professor Roberlei destaca que há muito o que celebrar pelo Dia Mundial da Religião.

“Nós temos que celebrar porque há um esforço muito grande de várias religiões, buscando o encontro om o ouro, o cuidado, resguardando as suas identidades, avançando no encontro com o outro e suas diferenças.”

A teóloga Elisa destaca que as religiões são um caminho para a construção do bem comum, para que o ser humano possa se realizar como pessoa.

“A gente precisa cada vez mais cultivar e despertar o desejo do encontro, o desejo do diálogo, o desejo da convivência, para entender a dignidade de cada pessoa, independente da expressão de fé que ela professa e, inclusive, se ela não professa nenhuma”, afirma.

Sobre a busca da paz, o pesquisador Guaraci afirma que o que nós precisamos, efetivamente, é a formação ética e religiosa dos operadores das religiões, “não perdendo o seu princípios básicos da unidade e do consenso na diferença, conseguir formar os seus cada vez mais numa posição humana e ética, e não divina. Divina já estão lá as enteidades. A condição humana é que está manca.”

Sobre a experiência de conduzir o bate-papo, a jornalista e pasconeira Janaína afirma que foi uma honra e uma oportunidade de crescimento. “Digo isto por eu ser uma especialista da área da Ciências da Religião que acredita que os diversos saberes sobre as religiões no mundo só tem a acrescentar em nossas vidas.”  Ela relata como foi gratificante ouvir as opiniões de um renomado professor desta área, as reflexões de uma teóloga católica e a fala pontual de um representante da religião afro.

“Foi tanta riqueza neste bate-papo que a minha expectativa ao conduzir a conversa foi única: mostrar que o respeito fala a língua de todas as religiões.”

Sobre a importância de debater tolerância religiosa no ambiente pastoral, Janaína afirma que sem abrir os olhos e o coração para o diferente, não adianta sair por aí dizendo que faz pastoral na Igreja. “Isso vale para todos os contextos de nossa sociedade. Todos! Nós, que vivemos e atuamos no amiente pastoral, precisamos compreender que cada ser humano possui suas escolhas, suas próprias vontades, suas próprias maneiras de se conectar com o divino e viver a espiritualidade que acredita e que lhe faz bem.”

Janaína finaliza com um recado.

“Se julgamos e somos intolerantes, se demonizamos a religião do outro, estamos deixando de praticar a nossa própria crença. O ambiente pastoral precisa ser feito de acohimento, de união e respeito, pois a intolerância religiosa nos separa dos valores cristãos. Aliás, Cristo não veio ao mundo pregando uma religião, mas o amor ao próximo que independe das escolhas de vida.”