“Políticos não devem implementar programas de governo atrelando-os à sua tradição religiosa”

Na mesma velocidade em que cresce a população evangélica, ganha corpo a bancada de igrejas pentecostais e neopentecostais no Congresso Nacional e a influência de pastores sobre os eleitores. Nas eleições de 2018, por exemplo, é possível identificar dois candidatos evangélicos à Presidência da República, e ao menos 26 candidatos ao Senado e sete aos governos estaduais, com vários a vice-governadores.

Para a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas, uma pesquisa recente feita por um portal de notícias nacionais mostrou um total de 491 candidatos, entre os quase sete mil registrados, cujo nome de urna tem títulos religiosos relacionados à cultura evangélica. Entre os sete candidatos a governadores, há dois que atuaram na Bancada Evangélica na Câmara. Na disputa ao Senado, há dez com esta vinculação.

Sabendo da participação cada vez mais ativa dos evangélicos no processo político eleitoral e com a proximidade do Debate de Aparecida, uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a TV Aparecida, a ser transmitido no próximo dia 20 de setembro, o portal da CNBB realizou uma entrevista exclusiva com o presidente da Comissão para o Ecumenismo, dom Francisco Biasin. Nela, o bispo fala sobre o engajamento das igrejas evangélicas e defende o Estado laico.

“Em primeiro lugar é sempre bom lembrar que vivemos num estado laico, o que é um grande valor na concepção da participação política dos cristãos no exercício da cidadania. É de se perguntar sempre como um cristão se posiciona no exercício do cargo político para o qual foi eleito: certamente não deve implementar programas de governo atrelando-os à sua tradição religiosa, nem deve ter como critério de governança o seu credo”, afirma dom Biasin.

Para o bispo, muitas vezes os projetos políticos propostos pelos irmãos evangélicos, como ele mesmo os define são muito fixos e ambiciosos, de matriz religiosa, não cidadã. “Parece um jogo de palavras a pergunta que faço, mas não é: um candidato evangélico pretende governar como evangélico cidadão ou como cidadão evangélico?”, questiona.

No geral, dom Biasin afirma que tais projetos são afinados com ideologias e partidos políticos que privilegiam grupos fechados aos problemas sociais do país, favorecendo assim a exclusão e a exploração das camadas mais pobres da população. “Portanto, isso traz a ampliação do abismo que divide a sociedade em ricos cada vez mais ricos em detrimento dos pobres cada vez mais pobres”, critica.

Considerando o nível de engajamento na política entre os cristãos leigos católicos e os evangélicos, dom Biasin afirma que é grande a diferença de critérios que existe neste campo entre a orientação da Igreja Católica e das igrejas evangélicas, sobretudo de origem neo ou pós pentecostal. “Na igreja Católica se incentivam leigos e leigas coerentes e preparados a assumirem cargos políticos, pois é missão deles se engajarem na transformação das realidades terrestres, enquanto nas Igrejas evangélicas em grande parte são escolhidos como candidatos pastores e pouquíssimas pastoras”, diz.

Dom Biasin afirma que, em geral, os eleitos evangélicos constituem-se em corporativismos para propor e defender projetos não isentos da intenção de favorecer interesses próprios do seu grupo religioso e pouco atentos ao interesse do bem comum e das classe populares. “É de se notar que estão aumentando nas dioceses do Brasil as escolas de fé e política e que apontar candidatos para cargos públicos entra cada vez mais na pauta das nossas comunidades eclesiais de base”, garante o bispo.

Debate de Aparecida – Na próxima quinta-feira, 20 de setembro, a partir das 21h, a CNBB em parceria com o Santuário Nacional de Aparecida (SP), realiza na arena do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, o Debate de Aparecida. A transmissão será feita pelas emissoras de TVs e rádio de inspiração católica e também por meio de portais na internet.

Sobre o Autor: CNBB Nacional

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Uma noite rica de partilha e escuta… aqui na foto estão apenas alguns dos 35 participantes! ⁣

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Não podemos comunicar sem pedir a luz do Espírito Santo. Neste Pentecostes, renove o seu desejo de anunciar e reze esta linda oração do Papa Francisco:

"Espírito Santo, memória de Deus, reavivai em nós a lembrança do dom recebido. Libertai-nos das paralisias do egoísmo e acendei em nós o desejo de servir, de fazer bem. Porque pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar fechando-nos em nós mesmos. Vinde, Espírito Santo! Vós que sois harmonia, tornai-nos construtores de unidade; Vós que sempre Vos doais, dai-nos a coragem de sair de nós mesmos, de nos amar e ajudar, para nos tornarmos uma única família. Amém"

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O coordenador geral @soumarcustullius propõe uma reflexão para o dia de Pentecostes e o @padre.arnaldo compartilha sobre a realidade da pandemia, isolamento social e a adequação das atividades mediante reuniões em grupos virtuais. .
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Nos unamos ao Santo Padre neste momento especial de oração! 🙏🏻
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Depois da oração do Regina Caeli deste domingo, o Papa @franciscus recordou o #54dmcs que é celebrado no dia de hoje. ❤️

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A celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais não se encerra no domingo, dia 24. Todos pasconeiros são convidados a seguirem meditando sobre o tema e a carta do Papa Francisco durante todo o ano!

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De acordo com o Prof. Ismar de Oliveira,a data escolhida para celebrarmos do Dia Munidial das Comunicações Sociais está relacionada ao significado da solenidade. "o Domingo da Ascensão parece indicado do ponto de vista litúrgico já que precede um pouco o Pentecostes, festa em que se comemora a comunicação da verdade e da caridade pelo Espírito Santo.

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Para celebrar o Dia Mundial das Comunicações, o Papa escolhe um tema e envia aos comunicadores, e a toda Igreja, uma carta. Essa carta é sempre publicada no dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

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