Ricardo Benotti: comentário sobre a Mensagem para o DMC do Papa Francisco

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Riccardo Benotti

Agencia SIR 

Quando a narrativa da realidade é achatada completamente na dinâmica da negatividade “onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção, e por conseguinte não é uma notícia, e onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculo”, o risco é o de a “podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”. Quem chama a atenção para essa realidade é o Papa Francisco na mensagem para o 51º Dia Mundial das Comunicações. O esforço, escreve o Papa, deve ser orientado para “superar o sentimento de descontentamento e resignação que muitas vezes nos oprime, nos mergulhou na apatia, gerando medos ou a impressão de que o mal não pode colocar limites”.

“A má notícia é uma boa notícia”, diz uma máxima do jornalismo americano. A má notícia é uma boa notícia. Essa regra de ouro se baseia na crença de que o público está mais envolvido com os eventos dramáticos que tocam as cordas de emoção. O Papa nos convida a “quebrar o ciclo de ansiedade e deter a espiral de medo, o resultado do hábito de concentrar a atenção” na má notícia: guerra, terrorismo, escândalos e fracassos nos assuntos humanos.

Óculos para ver

Francisco não pede para ignorarmos o drama da nossa época, como multidões de migrantes que tentam ir para uma terra que os acolham, ou as desigualdades sociais que impulsionam os pobres cada vez mais baixo. O Papa já havia dito em uma audiência, após a eleição: “Uma baixa dez pontos na bolsa de valores é uma tragédia. Quando morre uma pessoa não é notícia, mas se cai a bolsa é uma tragédia”. Fiel ao princípio da realidade que não pode ser derrogado, pelo contrário, o Papa explica que não é sua intenção de “promover a desinformação para ignorar o drama do sofrimento, nem cair em um otimismo ingênuo que não vai ser tocado pelo escândalo da mal “; o esforço deve ser orientado para “superar o sentimento de descontentamento e resignação que muitas vezes nos momentos difíceis, mergulhamos em apatia, com medo e a impressão de que o no mal não se pode colocar  limite.”

É esta aceitação passiva de um mundo que parece impossível de mudar que Francisco se opõe nos aconselha “estilo comunicador aberto e criativo, que não se prontifique a conceder papel de protagonista ao mal, mas procure evidenciar as possíveis soluções, inspirando uma abordagem propositiva e responsável nas pessoas a quem se comunica a notícia”. “A realidade, em si, não tem um único significado”, diz o Papa: “Tudo depende do olhar com o qual ela é capturada, os ´óculos´que decidimos pôr para a ver: mudando as lentes, também a realidade aparece diversa”.

Para os cristãos, os únicos óculos apropriados para decifrar a realidade só pode ser o Evangelho: “que é o próprio Jesus, não se diz boa porque nela não se encontra sofrimento, mas porque o próprio sofrimento é vivido num quadro mais amplo, como parte integrante do seu amor ao Pai e à humanidade “.

Testemunhas de uma nova humanidade

Em sua quarta mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais – depois de falar sobre a cultura do encontro, da família e da misericórdia – Francisco entra na dinâmica da informação e inverte o paradigma da negatividade: “qualquer novo drama que aconteça na história do mundo torna-se cenário possível também duma boa notícia, uma vez que o amor consegue sempre encontrar o caminho da proximidade e suscitar corações capazes de se comover, rostos capazes de não se abater, mãos prontas a construir”.

“Ser” testemunhas “e comunicadores de uma nova humanidade, redimida”. É a inspiração para a qual devemos nos esforçar, acreditando que é “possível ver e iluminar a boa notícia presente na realidade de cada história e no rosto de cada pessoa.” Em más notícias, uma boa notícia.

Fonte:

Riccardo Benotti

Articulista da SIR (Servizio di Informazione Catttolica), da Conferência Episcopal Italiana. Ele trata principalmente com o que está acontecendo na Itália e nos Territórios (especialmente diocesanos), com um olho para os problemas da sociedade e sempre com a perspectiva original dos católicos. Também discute todas as questões relacionadas com a vida consagrada na Itália e no mundo.

Sobre o Autor: Michela

Você também pode gostar:

Busca

Instagram