
A missão da Pastoral da Comunicação vai muito além dos feeds e postagens das redes sociais, e os pasconeiros e pasconeiras que vivem a verdadeira realidade da pastoral sabem o quão maravilhoso é ser Pascom.
Somos responsáveis por “criar pontes” entre o Sagrado, as atividades das nossas paróquias, e os fiéis, que são impactados pelas nossas criações (arte, post, fotos, textos, animações e vídeos).
A beleza da missão do comunicador católico é que também criamos pontes para nós mesmos nos conectarmos com o Sagrado, com a fé que temos. E é esse sentimento que nos sustenta nos desafios pessoais, profissionais, enfim, cotidianos.
A comunicação católica impacta vidas! E não somente quem a recebe, mas a nós mesmos que a emitimos. Prova disso é a pasconeira da “Minha Vida de Pasconeiro” que, orgulhosamente, apresentamos sua história.
Pasconeira desde sempre!

É assim que a pasconeira Rosangela de Graça Martinski se denomina: “Pasconeira desde sempre“. Rosangela, 68 anos, formada em Letras e servidora pública federal aposentada, nasceu na cidade de Jaguariaíva, no Paraná, e atua no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, da Diocese de Jacarezinho, em sua cidade natal.
Sua caminhada na Pascom começou em 1990, por incentivo do então pároco, o Pe. Genésio Bertinatti. Suas atividades eram praticamente no offline, com avisos e cartazes da época. Com o surgimento do Facebook, Rosangela criou a página do santuário e com ela surgiu também a Rádio Web Lago Azul.
Em uma época em que a transmissão online de missas pela internet parecia inviável, Rosangela, cheia de amor e vontade de evangelizar através das mídias digitais, com um computador e um cabo azul de rede, puxado da secretaria paroquial até o computador que estava na casa paroquial, realizava as transmissões das Santas Missas.
“Eu ficava na casa paroquial, respondendo aos fiéis, acolhendo pedidos de oração e rezando pelos que precisavam. Era um serviço simples e humilde, mas profundamente transformador”, ressalta Rosangela.
Com a chegada das novas tecnologias de comunicação, a pasconeira buscou formação, aprendeu tudo sozinha e, com uma câmera simples, começou também a fotografar os eventos e publicar nas redes sociais. Em 2010, com a chegada de Dom Antônio Braz ao Santuário Diocesano, ela participou da criação da Pascom e foi escolhida para ser a coordenadora, trabalhando na comunicação de 55 paróquias.
As aventuras típicas dos Pasconeiros

Viver momentos de euforia e preocupação com as missões da Pascom são situações que estão no dia a dia de atuação dos comunicadores, não é? Com a Rosangela não foi diferente.
Momentos inusitados e tropeços também estiveram presentes em sua vida de pasconeira. Em um episódio, ela estava correndo para captar as fotos de uma procissão e caiu aos pés, sabe de quem? Do bispo.
“Naquela euforia de correr e pegar os melhores ângulos para as fotos, corri e não vi uma poça d’água. Pisei e escorreguei e caí aos pés de Dom Conrado. Não sabia o que fazer!” Disse ela, sorrindo.
E assim seguiu sua missão de pasconeira raiz, de transmitir missa ao vivo em cima de um caminhão, rezando para que o sinal de internet fosse forte como a sua fé.
Enfrentar desafios é um dom que está no DNA de qualquer pasconeiro, pois temos que fazer a mensagem de Cristo chegar até o receptor, que são os fiéis das nossas paróquias. Contudo, o maior desafio da vida de Rosangela seria outro.
Mesmo durante o câncer, a Pascom foi minha base
No ano de 2010, Rosangela se aposentou do cargo de chefe do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, dedicando-se totalmente ao serviço de evangelização através da Pascom.
Como coordenadora da Pascom, ela ensinou tudo o que aprendeu sozinha, vivendo na prática a sinodalidade tão latente nos pasconeiros e pasconeiras.
Em junho de 2024, Rosangela recebeu a notícia do maior desafio da sua vida. Ela foi diagnosticada com câncer de mama e viu sua história virar em questão de dias, entre sentimentos de fé, de desespero e de esperança.
Ela ficou abalada com a notícia, porém não perdeu a fé e também não deixou a Pascom, mesmo durante a fase mais difícil do seu tratamento, os nove meses de quimioterapia.
“Fiquei com 41 quilos, fraca, com dias que pareciam os últimos, mas em nenhum momento deixei de trabalhar para a Pascom. Era o que me dava força. Eu sentia que não estava sozinha”, conta emocionada.
Assim como Rosangela já caiu na poça d’água durante a procissão, se molhou, mas se levantou, não foi diferente na sua luta contra o câncer. E o que lhe deu força, durante o tratamento, foi a sua fé e também toda essa história bonita que criou na Pascom do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria.
Impactar vidas através da comunicação é a função da Pastoral da Comunicação; porém, a verdade que transmitimos tem que espelhar tudo aquilo que vivemos e saber que não é apenas um post, um texto, um vídeo ou uma mensagem, mas sim o rosto do Cristo Ressuscitado que vive em cada coração de pasconeiro ou pasconeira e que é a mais pura verdade que vivemos. Pascom não é somente uma pastoral, mas um legado de verdades que vivemos e divulgamos.
Rosangela fez o tratamento e também a cirurgia para remoção do câncer e venceu o maior desafio da sua vida, e mesmo depois da cirurgia não deixou de ser pasconeira.
“Após a cirurgia, eu estava sem sono. Eram umas três horas da manhã, então eu decidi responder o povo nas redes sociais do santuário. Quando a médica entrou no quarto e viu a cena, ficou muito brava comigo”, disse ela, sorrindo.
A Pascom não é somente uma pastoral
Atualmente, Rosangela segue com os cuidados com a saúde e em recuperação constante, e também como coordenadora da Pascom do santuário. Ela quer voltar presencialmente em breve, principalmente para a festa do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, que começa na segunda semana de julho.
Ser Pascom é muito mais do que estar atrás de uma câmera, um celular ou um computador. Ser Pascom é ser instrumento, ser e criar pontes. É ser a voz da Igreja que quer alcançar os corações, mesmo daqueles que estão mais distantes do altar.
Quando recebemos e conhecemos histórias como a de Rosangela, vemos que não estamos sozinhos e que temos uma missão muito maior em nossas vidas.
“A Pastoral da Comunicação transformou meu olhar sobre a missão de evangelizar. Através dela, entendi que comunicar não é apenas informar, mas sim tocar almas. É transmitir a fé, a esperança, o amor e a presença viva de Deus. Em cada foto realizada, cada vídeo editado, cada transmissão realizada carrega um pouco da nossa entrega, da nossa vida.
A Pascom me ensina, todos os dias, que a evangelização pode ultrapassar muros e chegar a lares silenciosos e aquecer corações solitários, que, mesmo com as limitações humanas, podemos levar a mensagem de Cristo com beleza, verdade e sensibilidade.
Fazer parte da Pascom é uma honra. É servir com o que temos, com o que somos. É unir técnica e espiritualidade e saber que, mesmo nos bastidores, somos parte essencial da construção do Reino de Deus.”
Em nome da Pascom Brasil, obrigado, Rosangela, pela sua história!
Por Marcelo Godoy
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