Um espaço pra gente conversar

Um dedo de prosa pra mim é sagrado. Como bom mineiro não troco um dedo de prosa por nada. Quantos causos a gente vai juntando na vida, não é mesmo? Então, é assim que eu quero tratar este espaço. Um lugar pra gente ter sempre um dedo de prosa. Quero, aqui, responder às suas perguntas, de agente da Pascom que tanto faz pela evangelização em todos os cantos do nosso Brasil. É um lugar para tirar dúvidas, pra partilhar, para discorrer sobre temas importantes na nossa atuação. O agente da Pascom não deve entender ou conversar apenas sobre coisas de comunicação. É importante que nós nos inteiremos de tudo o que a Igreja nos ensina.

Bom, para não perder tempo, já vamos começar a nossa conversa. O mês de outubro, na Igreja, é conhecido como mês missionário. Se existe um tema que nunca se esgota na Igreja é a missão. E a resposta para isso é muito simples: pelo Batismo somos todos missionários. Portanto, a missão não é uma característica especial de algum segmento da Igreja, ela abraça a todos. Desta forma, podemos entender que a missão é uma responsabilidade de todos e para todos. Não é só para quem está dentro da Igreja, inserido na caminhada pastoral, mas é preciso ter a ousadia de sair. Fazer missão só para quem está dentro da Igreja, embora precisemos sempre ser “missionados”, é como pescar dentro do aquário. Este ano o mês de outubro reveste-se de uma grandeza ainda maior, pois celebramos o Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco.

Quando falamos em missão, o nosso olhar deve se voltar para uma passagem bíblica que é inspiradora e fundamental: “Vão, portanto, e façam que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo o que lhes ordenei. Eis que eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.” (Mateus 28,18-20) Retome a passagem bíblica e se atente a dois verbos: IR e FAZER. Vão e façam…

Na mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano, o Papa Francisco nos recorda que “a celebração deste mês ajudar-nos-á, em primeiro lugar, a reencontrar o sentido missionário da nossa adesão de fé a Jesus Cristo, fé recebida como dom gratuito no Batismo. O ato, pelo qual somos feitos filhos de Deus, sempre é eclesial, nunca individual: da comunhão com Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, nasce uma vida nova partilhada com muitos outros irmãos e irmãs. E esta vida divina não é um produto para vender – não fazemos proselitismo –, mas uma riqueza para dar, comunicar, anunciar: eis o sentido da missão. Recebemos gratuitamente este dom, e gratuitamente o partilhamos (cf. Mt 10, 8), sem excluir ninguém. Deus quer que todos os homens sejam salvos, chegando ao conhecimento da verdade e à experiência da sua misericórdia por meio da Igreja, sacramento universal da salvação.”

A feliz providência, deste ano, de termos o mês missionário em consonância com a Assembleia Geral dos Sínodo dos Bispos sobre a Pan-Amazônia nos faz arder o coração sobre esta realidade tão especial. Neste ensejo, gostaria de partilhar algo muito especial. No final de 2014, tive a oportunidade de participar da primeira Missão Jovem na Amazônia, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nós fomos 72 jovens em 4 dioceses da região norte do Brasil (Coari, Borba, Parintins e Boa Vista) e eu tive a graça de ser enviado para a diocese de Parintins. Junto com mais 13 irmãos, passamos horas e horas nos rios, visitando comunidades ribeirinhas e famílias. Não tínhamos a pretensão de ensinar nada. Fomos fazer a experiência… e que experiência! Aprendi muito mais do que ensinei. Este é, para mim, o maior legado de toda missão. Quem se dispõe a sair, de coração aberto, recebe uma renovação na fé.

Com fazer missão, ou como ser missionário? No livro “O Futuro da Fé”, composto de entrevistas do Papa Francisco com o sociólogo francês Dominique Wolton, o entrevistador retoma um termo usado frequentemente pelo Papa, igreja em saída, e a explicação do Papa é muito pertinente. Ele diz o seguinte: “sair de si mesma. Não uma Igreja fechada. Diante das congregações gerais, antes do conclave, numa breve intervenção, eu disse o seguinte: ‘Já lemos no Apocalipse que Jesus diz: Estou na porta e chamo, e, se alguém me abrir a porta, entrarei.’ Mas, com grande frequência, Jesus está na porta e chama, mas como ele está do lado de dentro, não deixamos sair.” Fazer missão, ser missionário é, portanto, deixar que Jesus saia. Isso exige movimento, disposição e muito amor no coração.

O que fazer de especial neste mês? Creio que a primeira atitude de todo discípulo missionário deve ser a oração. Rezar pela missão e por todos os missionários, por aqueles que estão fora de suas casas e terras levando o Evangelho. Por aqueles que, usando a imagem do Papa Francisco, deixam Jesus sair. Depois, procure ser missionário nos ambientes onde você está: na sua casa, no seu trabalho, no seu estudo. Seja um missionário na sua Pascom. Deixe Jesus transparecer pela sua vida, pela sua ação e pelo seu amor. Lembre-se: não é só com a voz que se diz sim a Deus, mas é também com a própria vida.

Para nosso papo continuar, eu vou contar com você. Envie sua pergunta, sugestão de tema para [email protected] ou em nossas redes sociais da Pascom Brasil. Até o próximo dedo de prosa!

Sobre o Autor: Marcus Tullius

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