Paolo Ruffini destaca a importância do estudo da Inteligência Artificial na formação dos futuros sacerdotes

Os seminaristas são chamados a discernir e explorar caminhos que possibilitem evangelizar também por meio da Inteligência Artificial

O Prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, Dr. Paolo Ruffini, participou do 12º Seminário de Comunicação Internacional, realizado no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro (RJ), em outubro de 2025. O evento foi promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, em parceria com a Comissão Nacional de Comunicação da CNBB, e reuniu importantes referências do campo da comunicação e da pastoral.

Durante o Seminário, a presença de Dr. Paolo Ruffini proporcionou um momento especial de reflexão e diálogo. Questionado sobre a necessidade de os seminaristas, ou seja, futuros sacerdotes, estudarem a Inteligência Artificial (IA), o Prefeito do Dicastério prontamente aceitou gravar um vídeo abordando o tema, reconhecendo sua relevância para a formação presbiteral nos tempos atuais.

 

A íntegra do vídeo, com legendas, está disponível pelo link:

VÍDEO ENTREVISTA

 

A seguir, destacamos os principais pontos apresentados por Dr. Paolo Ruffini em sua reflexão.

Logo no início, o Prefeito ressaltou que a Inteligência Artificial já está profundamente inserida na realidade contemporânea, influenciando e moldando o mundo em que vivemos. Nesse sentido, afirmou que a IA pode ser compreendida tanto como um dom quanto como um risco, dependendo de como é utilizada e compreendida.

Ao abordar a necessidade de conhecer aquilo que se utiliza, Dr. Ruffini recorreu à analogia do aprendizado de um novo idioma por alguém que se muda para outro país: para viver bem naquele contexto, é preciso compreender sua linguagem. Partindo do reconhecimento de que a Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano das pessoas, destacou a importância de estudá-la. Nesse contexto, fez uma observação provocativa e esclarecedora: “Antes de tudo, me vem dizer que ela não é inteligente e não é artificial”.

O Prefeito explicou que a Inteligência Artificial é, na verdade, um algoritmo desenvolvido por seres humanos. Embora possa ser de grande ajuda, ela também apresenta riscos, especialmente nos âmbitos da economia, dos padrões de pensamento e da simplificação algorítmica da realidade. Alertou, ainda, para o perigo de viver em um mundo que não se conhece, de forma inconsciente, comparando essa situação à condição de prisioneiros.

Um dos pontos centrais de sua fala foi a evangelização. Para Dr. Paolo Ruffini, os seminaristas são chamados a discernir e explorar caminhos que possibilitem evangelizar também por meio da Inteligência Artificial. Quando bem utilizada, essa ferramenta pode se tornar um campo vasto e extraordinário, com oportunidades inéditas para o anúncio e a propagação da Palavra de Deus.

Dessa forma, estudar a Inteligência Artificial não é opcional, mas parte integrante da missão formativa dos seminaristas, uma vez que ela está inserida no mundo no qual

também estão os seres humanos. Conhecer o meio e o destinatário da mensagem é essencial para que o anúncio do Reino de Deus seja, de fato, eficaz.

Ao final do vídeo, o Prefeito do Dicastério desejou êxito na caminhada formativa e nos estudos relacionados à Inteligência Artificial, tanto no âmbito acadêmico quanto na realidade dos seminários. Encorajou os seminaristas a se tornarem futuros sacerdotes que construam a comunicação a partir da comunhão, recordando que a comunicação, em sua essência, é um instrumento de comunhão. Agradeceu e concluiu sua mensagem.

A reflexão apresentada evidencia a necessidade de que os seminaristas conheçam as realidades do mundo atual, especialmente aquelas que impactam diretamente a vida dos fiéis. Estudar a Inteligência Artificial vai além do domínio de uma ferramenta tecnológica: trata-se de compreender um fenômeno que, estando em evidência, pode influenciar profundamente a vida das pessoas.

Por fim, o tema remete também à preocupação expressa pelo Santo Padre, o Papa Leão XIV, que escolheu o nome “Leão” em referência simbólica ao enfrentamento dos desafios da era digital, assim como seu predecessor nominal enfrentou a Revolução Industrial. O Papa tem chamado a atenção para os riscos de uma tecnologia que, ao buscar imitar ou substituir a mente humana, pode comprometer a dignidade da pessoa e a centralidade do ser humano na criação.

Nesse horizonte, a Igreja reafirma sua atenção e discernimento diante do avanço da Inteligência Artificial, considerando cuidadosamente suas implicações éticas, antropológicas e sociais, sempre à luz do Evangelho e do cuidado com a dignidade humana.

 

Autores:

Paulo Giovanni Rodrigues de Melo | Padre da Diocese de Paracatu | Mestre em Educação 

Maycon Moraes Matos | Seminarista do Seminário São João XIII de Paracatu MG | 2° ano de Filosofia 

Revisora ortográfica: Prof. Jussara Bianchi.

Tradutora da legenda do vídeo: Irmã Simony Angelino da Silva, Carmelita.

Gravação: Tatiane Soares.

Edição: GT Produção – Pascom Brasil