
A cada Semana Santa, de acordo com o Concílio Vaticano II, percebemos que:
“Como a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, Cristo a realizou principalmente por seu mistério pascal, com a qual destruiu nossa morte morrendo e, ressuscitando, restaurou nossa vida, o sagrado tríduo pascal da paixão e ressurreição do Senhor brilha como o ponto culminante de todo o ano litúrgico.” (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 5).
No documento, a Igreja afirma que na Semana Santa vivemos os mistérios centrais da nossa Redenção. Ao contemplarmos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, sentimos que, mais do que nunca, o próprio Senhor se comunica conosco através da Palavra que se fez carne e habitou entre nós, por amor se entregou a Cruz, ressuscitou ao terceiro dia e, assim, somos convidados a ressurgir para uma vida nova, o verdadeiro sentido da Páscoa.
O pasconeiro, dentro desse contexto, tem a missão de comunicar a beleza e a memória de celebrar a Páscoa, conduzido pelo Espírito Santo e utilizando vários recursos para transmitir a Palavra de Deus de maneira que chegue ao coração das pessoas dentro da realidade em que elas vivem.
Início da Semana Santa: Jesus que caminha para abraçar a obra da Redenção
No Domingo de Ramos, acolhemos a Cristo como aquele que vem em nome do Senhor, é o centro de nossa vida.
Na segunda, terça e quarta-feira Santa, a liturgia nos apresenta Jesus que se encaminha para o sacrifício pela nossa salvação, como afirma o Prefácio da Paixão II:
“Já se aproximam os dias da sua paixão salvadora e Ressurreição gloriosa, pelos quais é vencida a soberba do antigo inimigo e se faz memória do sacramento da nossa Redenção”.
O Tríduo Pascal: ápice da vida cristã
Após os primeiros dias da Semana Santa, a Igreja dá início ao Tríduo Pascal, pois, conforme expressa na declaração sobre a Liturgia do Concílio Vaticano II, “considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo. Em cada semana, no dia a que chamou domingo, celebra a da Ressurreição do Senhor, como a celebra também uma vez no ano na Páscoa, a maior das solenidades, unida à memória da sua Paixão.” (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 102).
Conhecer a riqueza do que se celebra em cada dia do Tríduo Pascal garante ao pasconeiro a certeza de uma boa vivência litúrgica e, com isso, um melhor servir.
Na quinta-feira Santa, Jesus se revela como mestre e, após lavar os pés dos discípulos, disse: “Vocês me chamam de mestre e Senhor e eu o sou. Se eu lhes lavei os pés, vocês devem lavar os pés também uns dos outros”. (Cf. Jo 13, 12-14)
Após a celebração, o pão consagrado é transferido para um outro local da igreja, e lá o contemplamos na simplicidade e no silêncio.
Na sexta-feira Santa, a Igreja se reveste de silêncio. As primeiras comunidades cristãs, quando anunciavam o Evangelho, evitavam dizer que Jesus havia sido crucificado.
Para você, pasconeiro, é um dia especialmente desafiador, pois há várias atividades nas paróquias e comunidades, como procissão, via-sacra e representações teatrais e, dessa forma, se pergunta: como viver a espiritualidade nesse dia dedicado ao silêncio? Como comunicar uma experiência de amor diante do sofrimento?
Como resposta a essa pergunta, precisamos tratar o silêncio também como uma forma de comunicação, pois ela leva a um encontro com Deus e sua Palavra e, como resultado, o pasconeiro consegue transmitir sua mensagem de forma verdadeira.
No Sábado Santo, o silêncio ainda reina no tempo e no espaço eclesial. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. À noite, a celebração da Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, proclama a vitória sobre o pecado e a morte. Esta é a celebração mais importante de todo o ano litúrgico e é dividida, de forma didática, em quatro partes: liturgia do fogo, liturgia da Palavra, liturgia batismal e liturgia eucarística. É a memória dos fatos que culminaram com a libertação do povo oprimido, no Antigo Testamento, e renovação desta libertação com a proclamação da Nova e Eterna Aliança, na Ressurreição do Senhor.
E no Domingo da Ressurreição, a Igreja celebra a Cristo que venceu a morte de uma vez por todas. O Aleluia Pascal ressa como canto da vitória e como o canto dos ressuscitados com Cristo. Num serão sobre a Ressurreição, o doutor da Igreja São Leão Magno afirma que Jesus tinha pressa em ressuscitar, porque queria consolar sua Mãe e os seus discípulos. Diz o santo que ele
“esteve no sepulcro o tempo estritamente necessário para cumprir os três dias profetizados. Ressuscitou ao terceiro dia, mas o mais cedo que pôde, ao amanhecer, quando ainda estava escuro, antecipando o amanhecer com a sua própria luz.”
Ao fazer a experiÊncia da Páscoa, o agente da Pascom é mais do que um transmissor da luz de Cristo Ressuscitado, é uma testemunha e, portanto, se torna um farol a irradiar esta bela luz em sua comunidade eclesial.
Páscoa: frutos para a vida cristã
A Semana Santa não pode ser vivida como um simples memorial de fatos que aconteceram há dois mil anos, nos esquecendo de olhar a dimensão dramática e profunda do que estamos vivenciando e, dessa forma, caindo em uma espécie de romanticismo pascal, ou até mesmo viver esse período tão importante de maneira cômoda e triunfalista, uma Páscoa sem calvário.
É fundamental que a Semana Santa frutifique em nós uma vida cristã mais intensa, que nos questione a respeito de temas centrais da nossa vida e como vivemos o nosso Batismo.
Desejamos a todos os pasconeiros um abençoado Tríduo Pascal, fruto de uma feliz Quaresma e do início da Semana Santa. Que o Espírito Santo nos guie com coragem, ânimo e coração aberto na importante missão de comunicar!
Juliana Fontanari é jornalista formada pela UNIP e agente da Pascom na Arquidiocese de São Paulo.
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