
Essa frase de João Batista não é apenas uma bela citação bíblica. Ela é um critério espiritual, pastoral e missionário que deveria acompanhar, diariamente, a vida da Pastoral da Comunicação. Aplicada à PASCOM, ela provoca uma pergunta sincera e necessária: nossa pastoral tem ajudado a missão da paróquia a crescer ou, sem perceber, tem ocupado um espaço maior do que deveria?
A Pascom existe para servir a missão
A Pastoral da Comunicação não nasce para aparecer, mas para servir. O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil recorda que a PASCOM “não é apenas mais uma pastoral, mas uma pastoral transversal, que perpassa todas as dimensões da ação evangelizadora” (Doc. 99, n. 18). Isso significa que sua função não é centralizar, mas articular; não é competir, mas integrar; não é protagonizar, mas favorecer a comunhão.
Quando a PASCOM entende isso, ela deixa de ser apenas operacional e passa a ser verdadeiramente pastoral. Ela ajuda a comunidade a se reconhecer, a participar, a se sentir parte. Seu sucesso não está no número de curtidas, mas no crescimento da vida comunitária.
Quando a PASCOM cresce demais, algo precisa ser discernido
Em muitas realidades, especialmente onde há poucos agentes pastorais, a PASCOM acaba assumindo um lugar de grande visibilidade. Isso, por si só, não é um problema. O risco aparece quando a pastoral começa a falar mais de si mesma do que da missão da Igreja; quando a estética se sobrepõe ao conteúdo; quando o “post” se torna mais importante do que a pessoa.
O Documento 99 nos alerta que a comunicação eclesial deve ser sempre um processo de diálogo, escuta e construção (cf. Doc. 99, n.12). Quando isso se perde, a comunicação pode até funcionar tecnicamente, mas deixa de evangelizar. João Batista nos ensina que o verdadeiro comunicador do Reino sabe apontar para Cristo, e depois sair de cena.
Comunicar é um serviço, não uma conquista
Papa Francisco reforça essa visão ao afirmar que “a comunicação não é uma conquista, mas um serviço” (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2015). Serviço humilde, muitas vezes silencioso, que não busca reconhecimento, mas fidelidade ao Evangelho.
Uma PASCOM madura entende que nem tudo precisa passar por ela, nem tudo precisa de post, nem tudo precisa de visibilidade. Há momentos em que a melhor comunicação é permitir que a pastoral aconteça, que a comunidade viva, que a fé seja celebrada sem filtros.
Diminuir para que a missão cresça
Para os pasconeiros e pasconeiras das mais diversas realidades do Brasil, das grandes paróquias urbanas às pequenas comunidades do interior, essa reflexão é libertadora. Diminuir não é perder importância; é ganhar sentido. É devolver à PASCOM sua vocação mais profunda: ser ponte, não palco.
Diminuímos quando escutamos mais do que falamos. Quando discernimos antes de publicar. Quando damos espaço para outras pastorais aparecerem. Quando colocamos a missão da paróquia acima da identidade da pastoral. E é justamente nesse “diminuir” que a Pascom se torna mais Evangelho.
Que Ele cresça
João Batista não desaparece da história da salvação ao dizer “é necessário que Ele cresça”. Pelo contrário: ele se torna ainda maior, porque cumpre sua missão. Que a PASCOM aprenda com esse testemunho. Que saibamos comunicar de tal forma que Cristo apareça, a comunidade cresça e o Evangelho seja anunciado com verdade.
Quando a missão da paróquia cresce, a PASCOM cumpriu sua vocação. E quando a Pascom diminui, Cristo aparece
Por Prof. Alex Alves Guimarães
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