Comunicar é servir: Cinco virtudes essenciais do pasconeiro!

“As palavras nunca são apenas palavras: são fatos que constroem os ambientes humanos. Podem unir ou dividir, servir à verdade ou servir-se dela. Devemos desarmar as palavras para desarmar as mentes e desarmar a Terra.” o Papa Leão XIV expressa de forma profunda sua constante preocupação com a responsabilidade ética da comunicação.

A comunicação na Igreja Católica ultrapassa a dimensão técnica e instrumental. Mais do que informar, trata-se de formar, evangelizar e promover comunhão. Conforme recorda Decreto Inter Mirifica, do Concílio Vaticano II, os meios de comunicação social, quando bem utilizados, contribuem eficazmente para a edificação da sociedade e para a difusão do Evangelho (IM, n. 2). Nesse horizonte, o agente da Pastoral da Comunicação (Pascom), conhecido como pasconeiro, assume uma missão eminentemente eclesial: comunicar como quem serve. 

A identidade do comunicador católico encontra fundamento no discipulado missionário, amplamente desenvolvido pelo Documento de Aparecida, que convoca todos os batizados a serem protagonistas na evangelização (DAp, n. 29). No contexto da cultura digital, esse chamado exige não apenas competência técnica, mas, sobretudo, maturidade humana e espiritual. A técnica é instrumento; o testemunho é essência. 

À luz da tradição moral cristã, as virtudes são disposições estáveis para o bem (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1803). Aplicadas ao serviço comunicacional da Igreja, elas se tornam critérios concretos para uma prática ética e pastoralmente fecunda. Destacam-se cinco virtudes essenciais. 

 

1.Prudência

Considerada pela tradição clássica como “auriga virtutum” (condutora das virtudes), a prudência orienta o agir responsável. No ambiente digital, marcado pela velocidade e pela cultura do imediatismo, a prudência se traduz na verificação das fontes, na ponderação das consequências e na fidelidade à verdade. O Catecismo define-a como a virtude que “dispõe a razão prática a discernir, em toda circunstância, o nosso verdadeiro bem” (CIC, n. 1806). Para o pasconeiro, significa evitar precipitações e compreender que comunicar na Igreja é também preservar a comunhão. 

 

2.Caridade 

A caridade é o princípio estruturante da vida cristã (cf. CIC, n. 1822). No campo comunicacional, ela implica respeito absoluto à dignidade humana, cuidado com a imagem das pessoas e compromisso inegociável com a verdade. O Papa Francisco (falecido em 21 de abril de 2025, na Casa de Santa Marta, na Cidade do Vaticano) insistia que a comunicação deve ser construtora de pontes e não de muros, favorecendo o diálogo e a cultura do encontro. 

A caridade pastoral impede que a busca por engajamento substitua a ética evangélica, recordando que comunicar, na Igreja, é antes de tudo um ato de amor que promove a comunhão e edifica o Corpo de Cristo. 

 

3.Alegria

A evangelização autêntica é inseparável da alegria. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco recorda que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG, n. 1). O comunicador da Igreja transmite uma Boa Notícia, não um discurso burocrático. A alegria, fruto do encontro com Cristo, reflete-se na criatividade pastoral, na linguagem acessível e na disposição fraterna. 

 

4.Responsabilidade

A responsabilidade decorre das virtudes cardeais da fortaleza e da temperança. No âmbito da Pascom, manifesta-se no compromisso com prazos, no zelo pelos equipamentos, na formação contínua e na fidelidade ao Magistério. O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ressalta que a comunicação eclesial deve ser planejada, integrada e comprometida com a missão evangelizadora (CNBB, 2014). Não se trata de voluntarismo improvisado, mas de serviço estruturado e consciente. 

 

5.Sinodalidade

A sinodalidade, entendida como “caminhar juntos”, tornou-se eixo central da vida eclesial contemporânea. O Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade reafirma que toda a Igreja é chamada à escuta, à participação e à corresponsabilidade. Para o pasconeiro, isso significa atuar como elo entre pastorais, movimentos e fiéis, promovendo a escuta comunitária e valorizando os diversos carismas. A comunicação sinodal não é isolada nem autorreferencial; é comunhão em ação. 

Em um cenário cultural marcado pela fragmentação e pela polarização, comunicar na Igreja é testemunhar unidade. A missão do pasconeiro não se esgota no domínio das plataformas digitais; ela encontra sentido na vivência das virtudes que sustentam o agir cristão. Prudência para discernir, caridade para amar, alegria para anunciar, responsabilidade para perseverar e sinodalidade para caminhar em comunhão: eis os pilares de uma comunicação verdadeiramente evangelizadora. 

Assim, confirma-se que comunicar, na perspectiva eclesial, não é apenas informar — é servir. 

“Fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gálatas 5,13) 

 

Por Pe Renan Dantas – Diocese de Juína