Um rico painel com experiências de escuta marcou a primeira Conexão Pascom 2022, realizada de forma on-line na noite da última terça-feira, 15 de fevereiro. O momento formativo foi conduzido pelo coordenador do GT Formação da Pascom Brasil, Pe. Tiago Barbosa, e pelos membros Cezar Barros e Talita Villalba. A transmissão aconteceu por meio de videoconferência na plataforma zoom, com a participação de mais de 300 agentes da Pascom.

A dinâmica da noite foi um painel de experiências, com a participação da comunicadora Joelma Viana, gestora da Rede de Notícias da Amazônia e vice-presidente da Rede Católica de Rádios; do psicanalista René Dentz, professor de Ética da PUC-Minas, onde também atua como membro da equipe executiva do Observatório da Evangelização e do Padre Eduardo Kologeski dos Santos, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Salete em Porto Alegre e Promotor Vocacional da Arquidiocese de Porto Alegre. A íntegra da partilha está disponível em nosso canal do YouTube.
O rádio como veículo da escuta
Para Joelma, o rádio tem uma importância muito grande, especialmente na Amazônia.
“Quando a gente olha a região amazônica, nós estamos falando de várias Amazônias, com vários contextos diferentes e longas distâncias. Para se chegar nestes lugares, o rádio é o principal veículo. Há lugares em que a televisão não chega, que a internet não chega, mas o rádio chega”, afirmou.
A comunicadora, que reside em Santarém, no Pará, partilhou a experiência da ambulancha, que faz o atendimento médico às comunidades ribeirinhas e que o motorista é acionado pelo rádio. Em outros lugares, o rádio também é usado para envio de mensagens e recados.
A escuta para guiar um mundo sem bússola
O professor René Dentz, durante a sua fala, recorreu várias vezes aos ensinamentos do magistério do Papa Francisco e do recente documentário A sabedoria do tempo. “Para escutar bem, é preciso não se apressar”, afirmou o psicanalista enquanto chamou atenção para o acolher, que se expressa no escutar atentamente. Recentemente, Dentz publicou um artigo no Observatório da Evangelização sobre a escuta, no qual afirma que “escutar implica em silêncio e o mundo em que vivemos tem muito ruído. Somos incapazes de escutar o outro em uma cultura da indiferença. Escutar é um gesto coletivo. Somente a partir da escuta podemos entender a diferença e é pela diferença que avançamos em nossa dimensão humana.”
“Não podemos pensar o cristianismo nos contextos pós-modernos, nos contextos atuais, no mundo sem bússola, no mundo desbussolado, senão acolhermos, senão primeiramente escutarmos. O mundo atual tem muitas propostas: medicamentos, auto-ajuda, tecnologias, várias propostas que são rasas e que servem muito a uma sociedade de consumo. […] O cristianismo não pode esquecer da sua dimensão de vulnerabilidade, da sua dimensão de primeiro escutar”, afirmou.
A escuta como forma de acolhida
Padre Eduardo Kologeski, da Arquidiocese de Porto Alegre, partilhou a experiência vivida na capital gaúcha durante o período mais crítico da pandemia, o TelePaz. “Foi uma experiência bastante rica, profunda e desafiadora. Nós todos estávamos imersos naquele mundo de sombras”, destacou o sacerdote. Segundo ele, foram aproximadamente 50 voluntários que se revezaram no acolhimento às pessoas por meio de ligações telefônicas.
Devido à grande repercussão na mídia, inclusive a nível nacional, a equipe recebeu ligações não apenas do estado do Rio Grande do Sul, mas de todo o país. Para ele, foi um momento fecundo, que
“nos ajudou a compreender melhor o que significa que ‘quem escuta, aprende’. Aprender muito mais do que um conjunto de palavras, os sons que ela emite, mas uma parte daquela pessoa que está se descobrindo a você. Evidente que muitas partilhas eram desafiadoras. Nós tinhamos que escutar as pessoas com atenção, carinho e respeito.”
Próximas datas
Os próximos encontros da Conexão Pascom já têm data marcada e irão acontecer no segundo semestre. Coloque na sua agenda e participe!
20/09, 20h – EIXO DA ESPIRITUALIDADE
18/10, 20h – EIXO DA ARTICULAÇÃO
22/11, 20h – EIXO DA PRODUÇÃO
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