
O termo fake news ganhou força a nível mundial em 2016 com a eleição presidencial dos Estados Unidos, época em que os eleitores de Donald Trump compartilharam informações falsas a respeito de sua concorrente, Hillary Clinton.
Mas vamos voltar no tempo…muito antes do Jornalismo ser prejudicado pelas fake news, haviam escritores que já propagavam informações falsas a respeito dos seus desafetos por meio de suas obras e comunicados. Anos mais tarde, a propaganda se tornou o veículo utilizado para espalhar dados distorcidos da realidade para a população, o que ganhou força no século XX.
Podemos perceber que o perigo da distorção de informações sempre esteve presente entre nós.
Por que as pessoas compartilham Fake News?
De acordo com pesquisas recentes, foi constatado que as páginas de fake news tem maior participação dos usuários das redes sociais do que os que consomem a mídia impressa.
Para legitimar as fake news, as páginas que divulgam e produzem esse tipo de conteúdo costumam misturar as publicações falsas com a reprodução de notícias verdadeiras de fontes confiáveis. Outro problema real que se faz presente nas redes sociais são os títulos sensacionalistas que induzem ao erro.
Essas páginas costumam, ainda, utilizar montagens por meio de imagens e vídeos, sabendo que o usuário de internet é muito visual. Por isso, uma foto fora do contexto ou manipulada por ser facilmente divulgada como verdadeira.
As fake news e a Igreja
A produção massiva de conteúdos exige de nós um ponto de vista crítico em relação a checagem das informações. E quando não o fazemos, corremosTornas a o risco de ampliar as falsas informações que comprometem o nosso compromisso com a verdade.
Faz parte da natureza do ser humano o desejo de saber a verdade a respeito do que o cerca, conforme nos orienta o número 21 do documento Antiqua et Nova: “a inteligência humana é um dom de Deus concedido para apreender a verdade. Ela capacita a pessoa a acessar realidades que vão além da simples experiência sensorial ou da utilidade prática, já que o desejo da verdade pertence à própria natureza do homem. É uma característica inata de sua razão questionar o porque das coisas.”
A verdade, para a Igreja, não se trata apenas de um valor ético, mas uma expressão concreta do amor cristão.
O Papa Francisco já alertava em sua Mensagem para o 520 Dia Mundial das Comunicações Sociais (2018):
“As fake news revelam uma lógica de intolerância e hipocrisia. A melhor vacina contra o vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade.”
O Papa Leão XIV defende que as agências de notícias devem funcionar como uma barreira contra quem se baseia na mentira que divide a sociedade:
“Quem trabalha em uma agência precisa escrever rápido, sob pressão, mesmo em situações muito complexas e dramáticas. Mais uma razão para que seu trabalho seja valioso e um antídoto à proliferação de `informações lixo`” (Papa Leão XIV durante audiência no Palácio Apostólico por ocasião da 39a Conferência Internacional Mends)
Nossa fé cristã entende a criação como um ato de Deus Uno e Trino que nos deu como missão cultivar e cuidar do mundo.
E agora, pasconeiro? O que fazer com as fake news?
Chegou a nossa vez, pasconeiros! Como podemos ajudar a combater o perigo das fake news?
A melhor arma contra esse mal é a informação. Confira algumas dicas para ajudá-lo(la) nessa jornada ao combate a desinformação:
- Verifique a fonte: nem tudo o que circula nas redes sociais é confiável. Na dúvida: NÃO COMPARTILHE! Perguntas úteis: O site é conhecido ou confiável? Está ligado a alguma instituição oficial?
- Consulte mais de uma fonte: a informação quando é verdadeira são confirmadas por diferentes meios confiáveis. Se apenas uma página desconhecida ou perfil de rede social envolve polêmica, é distorcido ou falso;
- Cuidado com a linguagem sensacionalista: frases como “VEJA ANTES QUE APAGUEM”, “URGENTE” entre outras, são típicas desse tipo de conteúdo. Mas como identificar? Veja se a informação está usando tom agressivo, falta de autoria clara, quebra de links ou até mesmo o texto repleto de erros ortográficos ou letras maiúsculas
- Confira a data da publicação: com frequência, notícias antigas circulam como se fossem novas, o que gera confusão. Observe com atenção;
- Questione os interesses: nem toda notícia tem o objetivo de informar. Reflita: Esse conteúdo pretende informar ou provocar? Há interesse político, ideológico ou econômico que envolva essa informação?
Sabemos que como comunicadores católicos, temos responsabilidade eclesial no combate às fake news e a desinformação.
Por Juliana Fontanari – Jornalista e escreve para o caderno Pascom em Ação do jornal O São Paulo.
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