
Participantes da 10ª Assembleia Nacional dos Organismos do Povo de Deus (ANOPD), reunidos em Brasília, divulgaram Mensagem ao Povo de Deus, neste domingo, 16 de outubro. No texto, a assembleia reafirma a vocação própria de cada pessoa dos respectivos Organismos da Igreja e convida a sentirem-se pertencentes “à Igreja peregrina, presente e atuante na história e por ela corresponsáveis”.
A Mensagem ressalta o tempo desafiador que o atual momento histórico apresenta, “marcado por uma crise civilizacional que repercute em todos os aspectos da vida, dentre os quais o emocional, o afetivo, a economia, a política, o social, o cultural, o ecológico e o religioso”, tal crise gera impacto de sofrimento na vida do povo e na casa comum. E lembra que, além disso, se “acrescenta as ameaças ao Estado Democrático de Direito, o que nos entristece e envergonha”. Com isso, seguindo a Mensagem, “tal realidade exige disposição para acolher os sinais dos tempos, discernimento e ousadia na busca de respostas adequadas às exigências do Reino de Deus e sua justiça”, afirma o texto.
Por fim, a Mensagem põe em evidência o chamado a “construir pontes, estabelecer relações, alimentar a comunhão, trabalhar juntos no cuidado e promoção da vida e da Casa Comum, indo ao encontro das periferias geográficas e existenciais”. E os participantes se comprometem “a trabalhar por condições de vida digna para todos e todas, segundo a medida do Evangelho: ‘Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância’” (Jo 10,10).
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Clamor por uma Assembleia Eclesial do Brasil

Durante os trabalhos, os delegados da Assembleia tiveram a oportunidade de escuta, reflexão e debate em oficinas, organizadas por grandes temas: Comunhão, participação e ministerialidade: participação do laicato e da vida consagrada; Comunhão e ação sociotransformadora; Comunhão e solidariedade com os vulnerabilizados; Comunhão e compromisso com a casa comum.
Nos dois momentos de plenária, os relatores de cada grupo apresentou os principais anseios e sugestões para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. O principal destes clamores é a convocação de uma assembleia com a participação de todos os sujeitos eclesiais do Brasil, a exemplo do ocorrido na América Latina, em 2021, e de um maior envolvimento no processo de elaboração das diretrizes gerais. Maior protagonismo juvenil e cuidado com a casa comum foram outros temas recorrentes no debate.
Pistas para o caminho sinodal

O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, trouxe um olhar sobre a síntese brasileira, em preparação ao Sínodo (2021-2023). O relatório enviado à Santa Sé contou com a participação de 254 dioceses brasileiras e 8 organismos que enviaram também suas contribuições. De todo o material recebido, a comissão brasileira preparou um relatório de 20 páginas, do qual Dom Joel apresentou os pontos principais. O secretário-geral sintetizou a escuta em valores, preocupações e sugestões. Os principais pontos abordados, podem ser conferidos neste .
Em 2021 o papa Francisco convocou a Igreja do mundo inteiro a percorrer um caminho preparatório para o Sínodo, que tem como tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. A última etapa do Sínodo será realizada em Roma, no mês de outubro de 2023. Com este chamado, Francisco convida a Igreja a se interrogar sobre sua vida e a sua missão: “é precisamente este caminho de sinodalidade que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”, afirma o papa.
Assembleia dos Organismos do Povo de Deus

A 10ª edição da ANOPD teve como tema “Comunhão e Missão: caminho para a Igreja no Brasil” e aconteceu na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF), entre os dias 14 e 16 de outubro. Participaram cerca de 180 delegados e delegadas dos Organismos que congregam o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Comissão Nacional de Presbíteros (CNP), a Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNIS) e a Comissão Nacional de Diáconos (CND).
A cerimônia de abertura contou com a presença do núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro. Na sequência, os representantes dos seis organismos tiveram seu momento de fala. Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da CNBB; Moema Muricy Rodrigues, presidente da CNISB; padre André Luís do Vale, presidente da CNP; Sônia Gomes de Oliveira, presidente do CNLB; diácono Francisco Salvador Pontes, presidente da CND e irmã Eliane Cordeiro de Souza, presidente da CRB.
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