Pastoral do Dízimo: como fazer uma comunicação correta?

O dízimo é louvor a Deus que nos dá a vida e é responsabilidade com a Igreja

O primeiro passo para a boa comunicação é procurarmos conhecer sobre o assunto que queremos abordar. Nesse caso, vamos nos recordar sobre do que se trata a Pastoral do Dízimo e o papel dela na vida da Igreja. 

Para começar nossa reflexão, um pouco de história. Em 1974, os bispos do Brasil, lançaram o Estudo número 8, que convidava os fiéis católicos a participarem as necessidades da Igreja de modo participativo e consciente. Além disso, foi determinado que a gestão desses recursos não fosse exclusiva do clero, mas que contasse com a participação dos leigos da comunidade. Eram as bases da Pastoral do Dízimo, que já tem mais de 45 anos de existência. 

 A vida eclesial se desenvolve de maneira orgânica, de forma que cada setor trabalha em vista da evangelização, que faz parte da dimensão da comunidade de fé. E nesse cenário, se faz presente a Pastoral do Dízimo, uma equipe que se dispõe a lidar de forma direta com as atividades relacionadas ao dízimo. 

Infelizmente, muitas paróquias e comunidades não tem a devida assistência adequada para o dízimo, ou estão em processo de implantação há muito tempo, sem resultados satisfatórios. Para isso, é preciso um caminho de formação, planejamento e iniciativas voltadas para o bom desempenho da equipe, lembrando que qualquer ação pastoral parte da evangelização e do cultivo da espiritualidade, sendo que esses dois fatores resultam em um fecundo trabalho pastoral, como nos recorda o papa Francisco: 

“Como gostaria de encontrar palavras para encorajar uma ação evangelizadora mais ardorosa, alegre, generosa, ousada, cheia de amor até o fim e feita de vida contagiante! Mas sei que nenhuma motivação será suficiente, se não arde nos corações o fogo do Espírito Santo.” (Evangelli Gaudium, 261) 

E assim, a Pastoral do Dízimo tem a missão de evangelizar e motivar as pessoas a descobrirem o valor e a espiritualidade do dízimo fundamentada na Palavra de Deus. 

 

O dízimo na vida da comunidade 

Uma família não consegue se manter de forma digna sem uma renda que seja de acordo com as suas necessidades como alimentação, energia elétrica, transporte, entre outras despesas que fazem parte da realidade familiar. Na vida da comunidade eclesial não é diferente, por mais que a espiritualidade não tenha um custo em si mesma, o espaço físico, funcionários e o culto litúrgico demandam dos mais diversos recursos, mostrando que é impossível ter uma vida paroquial mínima sem que se tenha uma receita. A partir desse entendimento, podemos compreender um pouco sobre a necessidade material do dízimo. 

Do ponto de vista espiritual, o dízimo, de acordo com o Documento 106, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, 8, o dízimo “está relacionado com a experiência de Deus, que, por amor, entregou seu Filho por nós e por todo o mundo”. E assim, essa relação com Deus se concretiza a partir da oferta financeira feita de modo deliberado e generoso, expressando sua gratidão, de acordo com o número 29 do mesmo documento. 

 

As dimensões religiosas do dízimo 

Como agentes da Pastoral da Comunicação, que tal relembrar as pessoas sobre as dimensões religiosas do dízimo elaborando materiais formativos para resgatarmos a espiritualidade por meio da contribuição como dizimista? Vamos lá! 

  • Dimensão religiosa: se trata da relação fiel com Deus; 
  • Dimensão eclesial: com a consciência de ser membro da Igreja, o fiel participa diretamente dos custos com a realização do culto divino; 
  • Dimensão missionária: a colaboração do dízimo se une a de outros irmãos e favorece a partilha de recursos em projetos de evangelização comum, de cada diocese, assim como a comunhão de recursos com comunidades mais pobres; 
  • Dimensão caritativa: se manifesta no cuidado com os mais pobres e necessitados. 

 

Comuniquemos a todos que o dízimo é uma maneira de servir com amor 

Embora haja bastante divulgação, há cristãos que não percebem ou entendem o dízimo como fonte de bênção e agradecimento a Deus por tudo que Ele nos dá todos os dias. O dízimo é resultado de uma experiência verdadeira de Deus. As orações tradicionais que são feitas nas comunidades para ofertar o dízimo o reconhecem não como simples esmola, nem como uma contribuição ou ainda o resto que a Deus é oferecido. É importante lembrar que o valor financeiro que o dízimo representa é irrelevante diante daquilo que ele simboliza. O dízimo é louvor a Deus que nos dá a vida e é responsabilidade com a Igreja que é como uma mãe que concede a nós tantos dons de Deus e é evangelização que se expressa nos projetos pastorais e no auxílio social que as comunidades prestam. 

Vamos concluir nossa reflexão louvando a Deus pela vida de cada dizimista e que nós, pasconeiros e pasconeiras, sejamos um canal de evangelização que constrói pontes em todos os âmbitos pastorais, entre eles, o dízimo. 

 

Por Juliana Fontanari – jornalista, membro do GT Produção da Pascom Brasil e escreve bimestralmente para o caderno Pascom em Ação do jornal O São Paulo.